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IFI rebate crítica de Guedes: ele não sabe conviver com órgão independente
Alvo de ataque público do ministro da Economia, Paulo Guedes, o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, reagiu às críticas com um recado direto para o ministro e sua equipe: a preocupação, no cenário atual de colapso na saúde e crise econômica, deveria ser "ouvir" os críticos e análises para construir um programa para o País ter um horizonte de crescimento

Por Estadão Conteúdo

Crédito: Divulgação/Internet

Alvo de ataque público do ministro da Economia, Paulo Guedes, o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, reagiu às críticas com um recado direto para o ministro e sua equipe: a preocupação, no cenário atual de colapso na saúde e crise econômica, deveria ser "ouvir" os críticos e análises para construir um programa para o País ter um horizonte de crescimento.

Ao Estadão, Salto disse que o ataque institucional de Guedes à IFI revela uma preocupante intolerância ao contraditório numa democracia. Segundo ele, a IFI "não foi, não é e nunca será linha auxiliar do governo e de quem quer que seja". "O que me preocupa e espanta é que o ministro da Economia Paulo Guedes ainda não tenha ainda aprendido a conviver com a existência de um órgão técnico, independente e que faz as suas análises e projeções", reagiu Salto.

Nesta quinta-feira, 25, Guedes expôs publicamente um incômodo que já vinha manifestando reservadamente contra os relatórios da IFI e também as manifestações públicas do seu diretor executivo. O ministro aproveitou a audiência no Senado, ao qual a IFI é vinculada, para colocar aos senadores a sua contrariedade.

As críticas resultaram, porém, numa série de manifestações de apoio ao trabalho da IFI. Apesar da pressão de Guedes, Salto e mais dois diretores não podem ser demitidos porque têm mandato fixo.

Na audiência, ao ser questionado sobre a previsão da entidade sobre a atividade econômica deste ano, Guedes afirmou que a IFI tem "trabalhado muito mal", com "previsões muito fracas", e provocou o Senado a repensar o comando da instituição, o que, na prática, não poderá ser feito.

A gota d'água do descontentamento do ministro foi a tabela do último relatório da IFI mostrando o efeito do lockdown no Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, a relação entre crescimento e combate à crise na ausência de vacinação. O relatório mostrou que, quanto mais a vacinação demora, por mais tempo será preciso ter medidas de restrição, que prejudicam o resultado o PIB.

Para Salto, os assessores do ministro não o informaram bem a respeito das análises da IFI. "A reação é muito desproporcional, porque o País vive uma situação de colapso na área de saúde", avaliou. Para ele, a vacinação também depende também depende do Ministério da Economia.

A IFI foi criada há quatro anos e meio para acompanhar as contas públicas na esteira dos problemas que levaram às manobras fiscais do governo Dilma Rousseff. Foi inspirada em órgãos semelhantes que existem nos Estados Unidos e no Reino Unido e em muitos outros países.

Uma nota técnica será divulgada pela direção da IFI contestando tecnicamente os pontos criticados pelo ministro. Salto ponderou que críticas são bem-vindas do ponto de vista técnico. "Se nós errarmos as projeções ou se estivermos usando metodologias equivocadas, é bem vindo", argumentou Salto, que se diz impressionado com o ataque pessoal que recebeu de Guedes.