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China julga canadense detido por espionagem
A China julgou nesta sexta-feira (19) um dos canadenses acusados de espionagem, apesar dos apelos do Canadá por sua libertação imediata e em um momento de intensa atividade diplomática entre Washington e Pequim

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

A China julgou nesta sexta-feira (19) um dos canadenses acusados de espionagem, apesar dos apelos do Canadá por sua libertação imediata e em um momento de intensa atividade diplomática entre Washington e Pequim.

Detido há dois anos, Michael Spavor foi julgado em apenas duas horas em Dandong (nordeste da China), a portas fechadas, informou um diplomata canadense. A sentença será anunciada posteriormente, anunciou o tribunal.

Diplomatas e jornalistas não foram autorizados a acompanhar o processo.

Spavor, empresário, foi detido no fim de 2018 ao lado de um compatriota, Michael Kovrig, pouco depois da detenção no Canadá de uma executiva do grupo chinês de telecomunicações Huawei, a pedido da Justiça dos Estados Unidos.

Pequim nega qualquer relação entre os casos.

O número dois da embaixada do Canadá na China, Jim Nickel, afirmou que o país trabalha de maneira estreita com os Estados Unidos para obter a libertação imediata de Spavor e Kovrig, que será julgado na segunda-feira.

"Temos a esperança de que, em certa medida, o julgamento possa levar à libertação imediata", disse.

O julgamento de Spavor começou horas depois do início de um encontro entre altos funcionários chineses e americanos no Alasca, em um ambiente de muita tensão. Trata-se do primeiro contato direto deste nível durante o governo Joe Biden.

O Wall Street Journal informou em dezembro que a Huawei negociava um acordo com a administração americana que permitisse a Meng Wanzhou retornar à China.

A filha do fundador da Huawei foi detida no aeroporto de Vancouver em 1º de dezembro de 2018 a pedido da Justiça americana, que a acusa de violar as sanções dos Estados Unidos contra o Irã. Washington deseja julgá-la por fraude bancária.

O caso provocou uma deterioração sem precedentes das relações entre China e Canadá.

As acusações exatas contra os dois canadenses não foram divulgadas oficialmente.

Em março de 2019, a agência estatal de notícias Xinhua informou que Kovrig era suspeito de espionagem e de violar segredos de Estado, enquanto Spavor era uma de suas principais fontes de informação.

Michael Spavor, que mora no nordeste da China, organizava viagens à Coreia do Norte, especialmente para o ex-jogador americano de basquete Dennis Rodman.

Em Dandong, na fronteira com a Coreia do Norte, diplomatas de vários países ocidentais acompanharam nesta sexta-feira os colegas canadenses nas proximidades do tribunal.

"Apreciamos o apoio internacional", declarou Nickel, que denunciou a detenção "arbitrária" dos compatriotas.