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África do Sul presta homenagem ao falecido rei dos zulus
"Uma grande árvore caiu". Com estas palavras, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa prestou homenagem nesta quinta-feira (18) a Goodwill Zwelithini, rei zulu que faleceu na sexta-feira passada aos 72 anos, após 50 anos no trono

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

"Uma grande árvore caiu". Com estas palavras, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa prestou homenagem nesta quinta-feira (18) a Goodwill Zwelithini, rei zulu que faleceu na sexta-feira passada aos 72 anos, após 50 anos no trono.

Seus restos mortais foram enterrados nesta quinta em um palácio perto de sua cidade natal, em uma cerimônia que a tradição zulu chama de "semeadura".

Muitas autoridades e personalidades sul-africanas compareceram à cerimônia em sua homenagem na pequena cidade de Nongoma du KwaZulu (nordeste).

"Dizemos adeus ao nosso líder", disse Ramaphosa, chamando Zwelithini de "defensor ferrenho de seu povo" e defensor da "diversidade".

"É um dia difícil porque uma grande árvore caiu", resumiu o presidente, que deu a entender que o rei zulu tinha coronavírus quando morreu.

"Nosso líder e querido rei morreu com a doença que tirou a vida de tantas pessoas", afirmou, em um discurso no qual alternou entre o inglês e o zulu, que faz parte das línguas oficiais da África do Sul, onde os zulus somam 11 milhões, ou seja, um quinto da população.

Estavam presentes na cerimônia o ex-presidente Jacob Zuma, da etnia zulu, e a princesa Charlène de Mônaco, que é sul-africana.

Também as seis esposas do rei, com véus de renda preta na cabeça.

O rei foi enterrado ou "semeado" no solo durante a noite, em uma cerimônia íntima.

Nascido em Nongoma, uma pequena cidade da província de KwaZulu Natal (nordeste), Goodwill Zwelithini subiu ao trono com 23 anos, após a morte de seu pai.

Em 1971, durante o regime do Apartheid, ele se tornou o 8º rei zulu e um dos soberanos tradicionais mais conhecidos da África do Sul.

Antes das primeiras eleições democráticas na África do Sul, em 1994, Goodwill Zwelithini provocou grande preocupação, sobretudo, dentro do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), o partido de Nelson Mandela, ao reunir milhares de homens armados nas ruas de Johannesburgo.

Muitos eram simpatizantes do partido nacionalista zulu Inkatha Freedom Party (IFP). Um tiroteio diante da sede do ANC terminou com 42 mortos e 250 feridos.

Nos últimos anos, o rei multiplicou as declarações de caráter xenófobo. Ele chamou os migrantes africanos de "formigas" e "piolhos", os quais também acusou de contribuírem para o "aumento da anarquia" no país.

As declarações provocaram grande polêmica no exterior. O rei, sempre com sua tradicional vestimenta de peles, foi acusado de estimular uma onda de ataques racistas, que provocaram sete mortes e deixaram milhares de deslocados.

Descendente do todo-poderoso Shaka, que dirigiu a nação zulu até seu assassinato em 1828, Goodwill Zwelithini restabeleceu nos anos 1980 o Umhlanga, um ritual anual de oito dias em que jovens seminuas cortam juncos e dançam ao redor da residência real. Apenas jovens virgens podem participar, pois é proibido que uma mulher "impura" corte a cana.