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Que futuro espera um Líbano em queda livre?
A pior recessão econômica da história levou o Líbano ao precipício, com uma população desesperada, sem qualquer solução à vista, enquanto a classe política luta há sete meses para formar um novo governo

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

A pior recessão econômica da história levou o Líbano ao precipício, com uma população desesperada, sem qualquer solução à vista, enquanto a classe política luta há sete meses para formar um novo governo.

Sem um Executivo totalmente operacional, capaz de aprovar reformas e fornecer os serviços essenciais, muitos consideram que a sobrevivência do país está em perigo.

A situação apenas piorou desde o início dos protestos em 2019 para denunciar uma classe política acusada de corrupção e incompetência.

As restrições provocadas pela pandemia de coronavírus em 2020 ajudaram a asfixiar a economia. Assim como a explosão devastadora de 4 de agosto no porto de Beirute, que provocou a renúncia do governo de Hassan Diab.

A moeda nacional, com taxa de câmbio fixada desde 1997 em 1.507 libras por dólar, perdeu 90% de seu valor no mercado paralelo. Na terça-feira, era negociada a 15.000 libras por dólar, o menor nível da história.

A desvalorização da moeda gera uma inflação galopante e acaba com o poder de compra de uma população submetida a restrições bancárias draconianas. A situação provocou uma nova onda de protestos em março, depois que a crise de saúde impediu temporariamente as manifestações no ano passado.

Apesar da urgência, as exigências da comunidade internacional não foram suficientes para acabar com a letargia de uma classe política acostumada às longas negociações e desconectada da realidade.

Os principais partidos continuam envolvidos em negociações intermináveis, e cada campo não abre mão de suas reivindicações. O presidente Michel Aoun e o primeiro-ministro designado Saad Hariri trocam acusações sobre o bloqueio.

"Observando o comportamento das forças políticas e seus cálculos, não parece que vão mudar", afirma uma fonte diplomática árabe que se mostra pessimista e antecipa uma estagnação "que ainda pode durar meses".

Informações da imprensa indicam que Aoun e seu partido reclamam uma cota, o que o presidente nega.

"Cada lado tenta ver como garantir seus ganhos", resume o professor Nasser Yassin, da Universidade Americana de Beirute, que denuncia a "decadência das instituições públicas incapazes de cumprir suas prerrogativas básicas".

Algumas autoridades parecem reconhecer que o Estado falhou em suas missões.

"A situação de segurança desabou", afirmou recentemente o ministro do Interior, Mohammad Fahmi, ao comentar o aumento da taxa de crimes.