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Poluição letal se mantém alta em 2020, apesar dos confinamentos
Três quartos dos países registraram em 2020 níveis superiores às recomendações máximas da presença no ar de micropartículas, responsáveis por muitas mortes prematuras, apesar da queda significativa das atividades poluentes devido à pandemia de covid-19 - revela um relatório divulgado nesta terça-feira (16)

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

Três quartos dos países registraram em 2020 níveis superiores às recomendações máximas da presença no ar de micropartículas, responsáveis por muitas mortes prematuras, apesar da queda significativa das atividades poluentes devido à pandemia de covid-19 - revela um relatório divulgado nesta terça-feira (16).

No total, 84% dos países registraram uma queda dos níveis de poluição do ar com partículas finas PM2,5 (inferiores a 2,5 micrômetros), segundo este relatório, elaborado pela unidade de pesquisas da empresa suíça IQAir e pelo Greenpeace, com dados de estações de monitoramento terrestres. Dois terços delas são operadas por instituições públicas.

De 106 países com dados disponíveis, apenas 24 respeitavam as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as partículas, cujo diâmetro corresponde a um trigésimo de um fio de cabelo humano. Este tamanho permite que as partículas penetrem no sistema sanguíneo através dos pulmões, provocando asma, câncer de pulmão, ou doenças cardíacas.

A maioria das sete milhões de mortes prematuras no mundo atribuídas pela OMS à poluição do ar foi provocada pelas PM2,5, procedentes das tempestades de areia, da agricultura, da indústria e da combustão de energias fósseis.

"Muitas regiões no mundo registraram melhoras inéditas, mas temporárias, da qualidade do ar em 2020. As restrições provocadas pela covid representaram uma queda brutal do consumo de energias fósseis", destacou Lauri Myllyvirta, do Centro de Pesquisa sobre a Energia e o Ar (CREA), que também colaborou com o estudo.

"Isto permitiu evitar dezenas de milhares de mortes no mundo", afirmou.

Outros estudos sugerem que uma exposição à poluição do ar aumenta a vulnerabilidade à covid-19 e talvez favoreça a circulação do vírus.

A melhora da qualidade do ar em 2020 já foi constatada em muitos estudos regionais, assim como o aumento da poluição com a flexibilização das restrições.

Como nos anos anteriores, o sul e leste da Ásia foram as regiões mais afetadas pelas PM2,5 em 2020: Bangladesh, Índia e Paquistão concentram 42 das 50 cidades mais poluídas do mundo, 49 de 50 quando se considera a China, onde 86% das cidades analisadas registraram uma melhora global.

Entre as capitais, Nova Délhi era a mais contaminada (como em 2019), com mais de oito vezes a dose máxima recomendada pela OMS. Em seguida, aparecem Dacca, Ulan Bator, Cabul e Doha. Islamabad é a 11ª, e Pequim, a 15ª.

No outro extremo da lista, estão as cidades de Estocolmo, Helsinque e Wellington como as menos poluídas.

Apenas um país, Estados Unidos, registrou aumento da poluição de PM2,5, de 6,7%, atribuído aos grandes incêndios que devastaram o noroeste do país. De acordo com o estudo, 38% das cidades americanas não respeitaram as normas da OMS em 2020, contra 21% em 2019.

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