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Pablo Iglesias, o revolucionário que abalou a política espanhola
Em um país ferido pela crise, Pablo Iglesias surgiu como um furacão na política espanhola prometendo levar a esquerda radical ao poder

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

Em um país ferido pela crise, Pablo Iglesias surgiu como um furacão na política espanhola prometendo levar a esquerda radical ao poder. Agora, com seu partido perdendo força, ele dá um passo para o lado abandonando o governo espanhol.

Este professor universitário com passado comunista pareceu ter condições de imitar seu amigo Alexis Tsipras, o líder da esquerda radical que chegou ao governo na Grécia (2015-2019) e resistiu à austeridade prescrita por Bruxelas.

No entanto, seu "assalto aos céus" durou pouco: os cinco milhões de votos obtidos em 2015 nas suas primeiras legislativas não foram suficientes para superar o histórico partido socialista de Pedro Sánchez, com o qual acabaria formando há um ano o primeiro governo de coalizão da história moderna da Espanha.

Sem renunciar ao seu característico rabo de cavalo ou seu estilo informal, Iglesias assumiu a segunda vice-presidência do Executivo, à qual renunciou nesta segunda-feira para se candidatar à presidência da importante região de Madri e facilitar uma mudança em sua disputada liderança do Podemos.

"Na política é preciso ter coragem, coragem para ser capaz de compreender quando chega a hora de abrir caminho para novas lideranças", disse Iglesias, que deseja ceder sua vice-presidência à ministra do Trabalho, Yolanda Díaz.

Depois de um ano em que muitas vezes ficou preso em seu papel de aliado e ao mesmo tempo competidor dos socialistas, Iglesias agora poderá manter "um pé dentro do governo e o outro fora, com mais conforto, para se dedicar à crítica política", disse o analista Pablo Simón.

Nascido em Madri em 17 de outubro de 1978, o ainda líder do Podemos leva a política nas veias quase desde o berço, quando seus pais decidiram nomeá-lo em homenagem ao fundador do partido socialista espanhol, Pablo Iglesias.

Toda esta paixão se traduziu em uma carreira universitária de sucesso: doutorado em ciências políticas, licenciatura em direito, mestrado em comunicação e cinco anos de docência na Universidade Complutense de Madri, onde entraria em contato com aqueles que seriam o núcleo fundador do Podemos.

Criado no calor do movimento de protestos dos "indignados" que surgiu na Espanha em 2011, o Podemos irrompeu no Conselho espanhol em 2014 denunciando a austeridade e a corrupção, com ataques furiosos à "casta" política e econômica que governava o país.

Os elogios que conseguiu entre seus apoiadores contrastam com a demonização que a direita fez dele, criticando seus vínculos com a esquerda latino-americana e o chavismo, sua militância comunista no passado e sua proximidade com os separatistas bascos e catalães.

Agora, com sua retirada da política nacional para se concentrar na regional de Madri, Iglesias enfrenta um desafio arriscado: tirar da presidência a polêmica conservadora Isabel Díaz Ayuso, que lhe deu as boas-vindas à campanha eleitoral com a frase: "comunismo ou liberdade".

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