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Após "Vacinagate", nova controvérsia no Peru por doses chinesas contra covid-19
O governo peruano negou neste sábado (6) que as vacinas chinesas compradas por Lima tenham pouca eficácia contra a covid-19, após a divulgação do relatório de um ensaio clínico que afirmava que apenas imunizava um terço dos pacientes

Por AFP

Crédito: Divulgação/Internet

O governo peruano negou neste sábado (6) que as vacinas chinesas compradas por Lima tenham pouca eficácia contra a covid-19, após a divulgação do relatório de um ensaio clínico que afirmava que apenas imunizava um terço dos pacientes.

A reportagem, divulgada pela emissora Willax três semanas depois do escândalo "Vacinagate" ou "VacinaVIP", de imunizações antecipadas de 470 pessoas, mais uma vez colocou o processo de vacinação em xeque em um país fortemente atingido pela pandemia, em meio a uma feroz campanha eleitoral.

"Nos parece muito irresponsável dizer meias verdades", disse a número dois do governo peruano, Violeta Bermúdez, em uma coletiva de imprensa, afirmando que o relatório divulgado era preliminar - e não o definitivo - dos testes clínicos da vacina da Sinopharm no Peru.

"O objetivo por trás [da divulgação do relatório] é fazer com que o processo de vacinação fracasse", afirmou Bermúdez, garantindo que o Peru comprou vacinas do Sinopharm para imunizar a população em janeiro após estudos em outros países, que concluíram que tinha 79,34% de eficácia.

Ele também destacou que o ensaio da vacina no Peru ainda não foi concluído, de onde saiu o polêmico relatório.

O médico responsável pelos testes clínicos no Peru, Germán Málaga, foi afastado de seu cargo e agora está sob observação do Ministério Público por causa da imunização irregular de 470 pessoas, incluindo o ex-presidente Martín Vizcarra.

Bermúdez insistiu que o governo vai denunciar "qualquer tentativa que ameace a saúde pública", garantindo que a divulgação do relatório tem como objetivo fazer com que as pessoas parem de se vacinar.

A vacinação no Peru tem sido motivo de grande polêmica desde que começou, há um mês, e é um assunto recorrente nas críticas de alguns dos 18 candidatos presidenciais que concorrem às eleições de 11 de abril.

Vários candidatos exigiram que o governo autorizasse empresas privadas a importar vacinas para imunizar seus trabalhadores, mas o presidente interino, Francisco Sagasti, recusou de imediato.

Os idosos começarão a ser vacinados com doses americanas de Pfizer na próxima segunda-feira, um mês após o início da aplicação das vacinas chinesas entre os profissionais de saúde, tarefa que ainda não foi concluída.

Com 33 milhões de habitantes, o Peru acumula mais de 1,3 milhão de casos da covid-19 e ultrapassa 46.800 mortes.

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