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Publicada em 14/3/2010

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Educação de carteira

Reflexão e comemoração Amanhã é Dia da Escola, instituição criticada, mas essencial na formação principalmente de crianças

ADRIANA FEREZIM
Da Gazeta de Piracicaba
adriana.ferezim@gazetadepiracicaba.com.br

Uma sociedade sem escola é impossível de se imaginar, segundo o coordenador da pós-graduação em Educação da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), professor Cleiton de Oliveira, 65. Ele afirma que mesmo que se diga que ela está ultrapassada - já insinuado nos anos 70 -, a escola se reinventa e deve se preparar para uma nova mudança neste século 21. Amanhã, 15 de março, é comemorado o Dia da Escola.

Piracicaba conta com 56 escolas da rede estadual, 104 municipais, cerca de 80 particulares de educação infantil e 26 de ensino fundamental e médio, conforme dados de 2009 das Secretarias Municipal e Estadual de Educação.

LUGAR. De acordo com o diretor regional de ensino, Oldack Chaves, a data é simbólica, pouco divulgada, mas oportuna para análise e reflexão. Ele informa que em um dos cadernos do curso direcionado a gestores da rede estadual de ensino, há um relato de um aluno sobre o que é a escola.

Ele diz: “É um lugar onde as pessoas procuram coisas melhores do que aquelas que elas têm fora dali, ou onde pelo menos os problemas que elas têm dentro delas sejam solucionados de forma diferente de como são em casa ou na rua.”

Chaves afirma que neste depoimento é possível sentir o querer bem a escola, que representa a maioria do pensamento dos adolescentes, jovens e dos familiares.

Para ele, uma escola diferente, estimulante, é o desafio:fazer tudo acontecer com proximidade e cumplicidade familiares.

CAMINHOS. Para Oldack Chaves, a escola pública é mais que um local de construção de amizades, conhecimento, relações e vivências. "É um ambiente propício para o exercício da democracia, com o pluralismo de ideias, considerando todos os envolvidos."

Cleiton de Oliveira ressalta que a escola pública tem sido questionada pela qualidade de ensino na Educação Básica, revelada pelas avaliações técnicas. "O problema está principalmente no aprendizado de Português e Matemática. Há como resolver isso. Temos que comemorar essa data, porque há escolas que funcionam bem, há professores engajados e alunos que aprendem."

Investimento na construção de escolas

Desde 2004, a Prefeitura de Piracicaba investiu na oferta de vagas, principalmente na Educação Infantil, com aumento de 112% do número de alunos matriculados até este ano. O município tinha 39 unidades para as crianças e passou para 65.

No Ensino Fundamental, o aumento de estudantes matriculados foi de 30%, de 11 mil em 2004, para 14 mil em 2010. Na Educação Básica, o número de escolas municipais saltou de 19 para 39 no mesmo período.

Na rede estadual, eram 53, em 2006 e, agora, são 56. Na rede particular de educação infantil, o número de escolas caiu de 87 em 2007 e para 80.

O secretário de Educação de Piracicaba, Gabriel Ferrato, disse que os dados mostram os pontos de atendimento, mas o que de fato representa o crescimento da oferta de ensino é o número de alunos matriculados.

Mudanças são insuficientes

As mudanças pela melhoria do ensino começaram em 1997, no Estado de São Paulo, e a partir de 1999 em todo o País, quando aumentou a oferta de vagas. Exceto em casos específicos, há vagas para todas as crianças no Ensino Fundamental, em todas as cidades, segundo Cleiton de Oliveira.

Uma inovação foi a implantação do ensino de nove anos. "Agora, teremos o ensino obrigatório a partir dos quatro anos, outro avanço.”

Ele aponta problemas no sistema de nove anos. “A criança de seis anos não deve ser tratada como na antiga primeira série. Também não deve usar os mesmos materiais. Há fotos que mostram esses alunos na cadeira escolar com as pernas no ar, porque são inadequadas para o tamanho. Cabe aos Conselhos Nacional e Estadual de Educação fiscalizar esses problemas", alertou.

Para ele, a criação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), em 2006, melhorou e trouxe avanços em relação ao Fundef (Fundo do Magistério), mas o financiamento ainda é inferior ao que é preciso. "O salário dos professores precisa melhorar. Não atrai os alunos dos cursos de licenciatura, que são os menos procurados nas universidades e, nem todos que se formam vão para o magistério. A escola precisa de atualização de equipamentos de informática e estar em dia com o que acontece fora dela. Os professores precisam de formação continuada e valorização e isso é feito com melhores salários."

Conforme Oliveira, há ainda a necessidade de revisar o número de alunos por classe e é hora de haver maior envolvimento das famílias. "Por razões culturais ou socioeconômicas, os pais deixaram de participar da educação e essa não é uma responsabilidade só das escolas", enfatiza.