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Cidade
Cenário XXI - Tecnologia no esporte
Teste foi feito em velódromo Pesquisadores desenvolvem microssensor para monitorar o desempenho dos atletas em plena atividade
PATRÍCIA AZEVEDO Da Agência Anhanguera patricia.azevedo@rac.com.br
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da Unicamp desenvolveram um microssensor para monitoramento de atividades esportivas que deve revolucionar a área de tecnologia do esporte no Brasil. A ferramenta, criada pelo engenheiro Yull Heilordt Henao Roa, sob a orientação do professor Fabiano Fruett, fornece informações biomecânicas do atleta em tempo real. “Com o sensor é possível monitorar o atleta durante o treinamento e o monitoramento não precisa ser feito em laboratório”, explica Roa. Outro diferencial que torna a solução única no país é o seu alcance de 70 metros. “Com isso o microssensor pode ser usado em esportes como ciclismo em que o atleta percorra distâncias maiores”, comenta o professor.
Roa explica que o sensor é composto basicamente por um circuito com sensores de aceleração e rotação e uma antena wireless, além de um receptor com antena que se conecta, via entrada USB, ao computador para a transmissão das informações. Para ler as informações, o engenheiro teve que desenvolver ainda um software com uma interface gráfica para analisar os dados.
A interface arquiva e apresenta os dados na forma de gráficos em tempo real. “Isso permite o monitoramento durante a atividade, o que é importante para aperfeiçoar a técnica e o desempenho”, explica o autor do projeto.
A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Faculdade de Educação Física (FEF)da Unicamp, foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Agora a FEF irá usar o dispositivo em suas pesquisas para avaliar o impacto que a descoberta pode ter na melhoria do desempenho de atletas.
O outro método disponível para avaliar a performance esportiva utiliza câmeras de video. A vantagem dos microsensores é que além do baixo custo, ele não é invasivo e permite a fixação em qualquer parte do corpo a ser monitorado. Outro diferencial do novo método é que ele permite monitorar o desempenho de um esportista durante a prática esportiva. “A performance de um atleta estudado em condições de laboratório é diferente da obtida durante a prática esportiva”, salienta Rao.
O mecanismo foi desenvolvido com a colaboração do Laboratório de Instrumentação para Biomecânica (LIB), da FEF. Os professores Sérgio Augusto Cunha e Luiz Eduardo Barreto ajudaram na condução de testes de campo. A modalidade escolhida foi o ciclismo. Foram feitas medições em bicicleta estacionária dentro de laboratório e em desempenho de pista no velódromo de Americana (SP).
Os sensores foram afixados, por meio de um suporte com elástico, na coxa e no tornozelo do atleta. A ideia foi registrar as características da pedalada baseados na aceleração triaxial (em três eixos) e na velocidade angular no ponto de fixação.
Segundo o engenheiro, as aplicações do sensor não se restringem a um só esporte. “No futebol ou no vôlei, por exemplo, podemos verificar quanto o atleta está saltando, o que o vídeo não permite. È possível ainda medir a temperatura corporal e o gasto energético em função da aceleração.
O professor Fabiano Fruett diz que o dispositivo desenvolvido no Laboratório de Instrumentação para Biomecânica não está longe do mercado. O custo dos materiais para a produção ficou em cerca de R$ 1,7 mil. “Esse valor não inclue a mão de obra”, observa Fruett.
NÚMERO
40 gramas é o peso do microsensor.

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