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Opinião
Dias melhores: para sempre?
Aquele momento era especialmente importante para mim que revia pessoas muito queridas. A alegria de estar em Piracicaba e a esperança de que o respeito pudesse ser retomado encheram meu coração de júbilo.
Foi ali, em pé ao fundo do Teatro Unimep, no dia em que tomava posse o sexto Reitor da Universidade, que ouvi discursos feitos por autoridades da Igreja Metodista de reconhecimento ao difícil período vivido nos dois últimos anos.
Foi naquela mesma noite de segunda-feira, que meu coração bateu mais forte quando ouviu, por meio de uma oração, um pedido de desculpa pelos equívocos que geraram dor. Os pensamentos que me rodeavam, o faziam acelerar ainda mais. Ao mesmo tempo em que me parecia estar diante de um aliado que reconhecia não ser aquele o melhor caminho, sentia-me receosa pelo susto da tragédia enfrentada.
Mesmo assim, estava quase acreditando que, de hoje em diante, o processo poderia ser realmente melhor. Exatamente como comentou a principal personalidade da noite, quando citou uma música da banda mineira J. Quest em seu discurso. Dias melhores para sempre. E eu me perguntava: será verdade que daqui pra frente tudo vai ser diferente?
Outra citação agitou novamente meu coração. Dessa vez era Fernando Pessoa o autor da frase que, se colocada em prática, poderia mudar o rumo dos acontecimentos. "A alma deixa de ser pequena quando se volta para a humanidade". Fui tomada por novos questionamentos. Será que desta vez, vão preservar a dignidade? Será que vão conseguir negociar sem pressionar? Sem colocar como condição sine qua non novas concessões? Para que isso aconteça, é preciso saber viver. E nem sempre é fácil.
Meus olhos quiseram encher-se de lágrimas e a memória chamou minha atenção relembrando Frejat e Quental. Não é hora de chorar, amanheceu o pensamento. Mas quem tem coragem de ouvir?
Naquela solenidade muitos tiveram. Ouviram, aplaudiram, questionaram intimamente e, possivelmente, perceberam que o sol continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade.
E assim, vivemos esperando o dia em que seremos melhores. Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo. E esse tudo inclui fazer melhor a vida do nosso próximo, analisando todas as possibilidades. Não dá para descartar a demissão como recurso para melhorar? Não dá para ser forte? Mas dá para ser, pelo menos, humano. Dá para se colocar no lugar do próximo e amenizar a dor. Ou então, entender quaisquer reações causadas por ela, já que, ainda segundo Frejat, todo mundo é parecido quando sente dor.
E para amenizá-la, mais do que saber viver e acreditar, é preciso saber dialogar. Estar verdadeiramente desarmado, sem transformar a solução em arma na garganta do outro. Somente assim, é possível viver dias de paz, dias a mais, como sugeriu o gestor das esperanças, inspirado pela banda mineira.
Ao final da noite, meu coração estava feliz e apreensivo. Naquele mesmo instante em que se regozijava pela grande expectativa, movimentava-se como as batidas marcantes do reggae, incentivando-me a continuar na busca pelos ideais e me fazendo lembrar uma máxima gravada pelo Rappa que estimula sempre a expressão, pois paz sem voz, paz sem voz, não é paz é medo!
Suzana Amyuni é jornalista

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