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Publicada em 4/1/2009

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TERAPIA NUM CLIC

Psicologia na internet Consulta on-line ganha cada vez mais adeptos

FERNANDA NOGUEIRA DE SOUZA
Da Agência Anhanguera
fernanda.souza@rac.com.br

Quem passa por um momento difícil na vida e não tem tempo nem dinheiro para buscar ajuda em um consultório psicológico pode contar com uma nova forma de ajuda: o aconselhamento pela internet. Diferente do atendimento convencional, o serviço deve atender uma queixa específica, nada grave como depressão profunda ou surtos psicóticos, e que possa ser resolvido em poucas mensagens. Das várias páginas da web que oferecem o serviço atualmente, apenas 19 têm permissão do Conselho Federal de Psicologia para operar. Há três anos, uma resolução do conselho regula a prática.

As principais exigências são que, através de sites só deve ser oferecida orientação a casos específicos, como tristeza momentânea pela perda do emprego ou dificuldade para escolher uma carreira, e pode haver no máximo dez trocas de e-mail ou chat. Pesquisadores têm permissão para fazer o atendimento contínuo, nos moldes do que fazem nos consultórios, mas sem cobrança, devido ao caráter experimental da prática.

Profissionais que oferecem o serviço sem permissão podem sofrer punições que vão de uma advertência até a cassação do diploma. “As regras são necessárias porque na internet há um risco maior de orientações equivocadas, além de haver o risco de quebra de sigilo, já que as informações estão sendo trocadas por computador, em vez de haver uma relação humana”, afirmou Maria da Piedade Romeiro de Araújo Melo, membro da comissão da subsede de Campinas do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

A psicóloga Sandra Regina Gaspari Molena, da Interage, recebeu permissão para fazer o atendimento pela internet no início deste ano. Hoje ela atende 18 pessoas. Cada e-mail enviado ao paciente custa R$ 25,00. A orientação de uma hora por chat sai por R$ 30,00.

VÍNCULO. Há também psicólogos que atendem pacientes pela internet ou por telefone após um período de psicoterapia no consultório. “Nesse caso, já há um vínculo entre o profissional e o paciente e o atendimento é permitido”, afirmou o membro do Conselho Federal de Psicologia, Aluízio Lopes de Brito.

Guillaume Dupont faz terapia pela internet há dez meses. Desde que se mudou para o Exterior, ele se comunica pelo programa de computador skype com seu terapeuta, com quem se consultava há dois anos. A conversa ocorre todo sábado no mesmo horário. Ele e o psicólogo se falam, mas não se vêem. “Acho que, no geral, a terapia continua a mesma. Tudo depende da disciplina que a pessoa se obriga a seguir”, afirmou.

PUC-SP atende desde 1998

O Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) faz orientação psicológica pela internet desde 1998. Há dois tipos de atendimento. O primeiro atende casos diversos e ocorre com a troca de no máximo três e-mails com o paciente. Os temas discutidos com mais freqüência são sexualidade, relacionamentos afetivos, questões de auto-imagem e depressão. “A finalidade não é substituir o atendimento presencial. É uma orientação pontual. Muitas vezes funciona como uma sensibilização para que a pessoa chegue ao consultório”, disse Rosa Maria Farah, coordenadora do núcleo.

Um dos atendimentos do grupo foi feito a uma mulher que sofria violência física do marido no Japão e de outra que morava na Holanda com o namorado que passava por uma crise psicótica. “Nesses casos, buscamos ajudá-las a encontrar ajuda no local onde estavam”, afirmou Rosa. O outro tipo de ajuda oferecido pelo núcleo é o aconselhamento a viciados em computador. Essa orientação é feita com a troca de cerca de oito e-mails em oito semanas. O site é www.pucsp.br/nppi e o e-mail é nppi@pucsp.br. (FNS/AAN)

Atendimento psicológico na web

Vantagens


É mais barato. Uma conversa por e-mail custa cerca de R$ 30,00. Uma sessão no consultório sai por cerca de R$ 100,00

É prático, porque o paciente não precisa ir até o consultório

Facilita o atendimento de pessoas com síndrome do pânico, timidez, obesos mórbidos e portadores de deficiências, como surdos

Possibilita o aconselhamento psicológico para brasileiros que estão no exterior ou em cidades que não ofereçam este tipo de serviço

Desvantagens

Não há estudo científico que comprove a eficácia do serviço

Casos graves não podem ser atendidos

O psicólogo fica sem contato visual com o paciente, o que pode atrapalhar a interpretação do caso

Há a possibilidade de quebra de sigilo das conversas

Informações

Site do Conselho Federal de Psicologia sobre psicologia on-line www.cfp.org.br/selo/Inicial