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Cidade
Mulheres ajudam a construir imóvel no Jupiá
Voluntárias erguem o Salão do Reino das Testemunhas de Jeová no Parque Jupiá
ANA CRISTINA ANDRADE Da Gazeta de Piracicaba ana.andrade@gazetadepiracicaba.com.br
Susana Almeida, 44, diz que nem se importa de trabalhar embaixo de um sol escaldante, porque o produto final será compensador. Ela é uma entre várias mulheres que estão erguendo um Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, no Parque Jupiá. Começam o trabalho às 7 horas da manhã e se dedicam à construção de segunda a segunda. A meta é entregar a obra, que teve início no sábado (22), às 18 horas do dia 4 de janeiro quando haverá a inauguração. A Gazeta esteve no local na última terça-feira (25) e acompanhou parte do trabalho.
A voluntária, que é dona de casa, integra o grupo de mulheres que representam 80% da mão-de-obra no prédio. Disposta e com o sorriso estampado no rosto o tempo todo, Susana assenta tijolos, carrega tábuas, mexe com ferragens, rejunta azulejos, pisos e faz pintura. Sobre a sensação depois do salão pronto, já que ela participou de outras construções, ela mostra os braços arrepiados. "A emoção começa agora. Fazemos isso por prazer e nada é feito com prazer é pesado para nós". Para proteger-se do sol, Susana carrega consigo um protetor fator 40 e um batom com protetor-solar fator 15. Antes de entrar na lida, ela deixa a refeição pronta em casa para o marido, filhos e sogra, de quem cuidam há anos. Todas elas não esquecem a feminilidade. Trabalham de batom, óculos de sol modernos, perfumadas, cabelos arrumados e usam até acessórios, como gargantilhas e brinco, por exemplo.
Maria Lúcia de Sousa, 41, deixou a família em Hortolândia para se juntar ao grupo. Vai passar em sua cidade para ver a mãe, num dos finais de semana de dezembro. Depois de matar a saudade, volta para a obra. Ela já deixou as marcas de suas mãos em sete construções de salões do Reino. Suas especialidades são ferragens, medição e eletricidade. "Nossa realização é ver o prédio pronto. A gente olha para cada detalhe e pensa: tem o toque de minhas mãos ali. É demais", declara.
Sueli Siqueira, 39, se empenha bastante na retirada das tábuas que sustentam o alicerce. Munida de uma barra de ferro e martelo, delicadamente ela solta as amarras da estrutura. De acordo com o encarregado da obra, Florisval Alves Rocha, é preferível que esse serviço seja realizado por mulheres, porque elas têm mais paciência e retiram as tábuas sem danificá-las. "As tábuas que elas retiram ficam inteiras para serem reaproveitadas em outras obras", declara Alves, que veio de Bragança Paulista para vistoriar a construção.
O prédio terá poltronas para 125 pessoas, sanitários masculino e feminino mais um sanitário adaptado para deficientes físicos, além do auditório com som. "A população pode ficar descansada porque não construímos reinos para fazer barulho. Não emitimos nenhum som para fora do salão", diz o encarregado.
ALIMENTAÇÃO. Além da união em benefício às obras de Deus, tudo é preparado com a mais perfeita organização. Próximo ao terreno foi montado um almoxarifado e uma das mulheres faz controle de todo o material que entra ou sai. Nas proximidades foi instalado um refeitório que serve café da manhã completo, almoço, café da tarde e jantar.
O primeiro café é às 7 horas. Às 9 horas há outro café, com consideração de um texto da Bíblia. Às 12 horas é servido o almoço, também preparado por voluntárias, e às 13 horas todos voltam ao trabalho. Às 15 horas, mais um café e às 17h30 ou 18 horas o jantar. Todos os dias são servidos bolos para os construtores voluntários. Enquanto estão na obra, entre um serviço e outro, as mulheres servem água e suco gelados para os colegas.
ENGENHARIA. O projeto de construção do Salão do Reino foi elaborado por profissionais de Engenharia, segundo Florisval Alves Rocha, e todos voluntários foram treinados. "Fazemos sempre reuniões, alertamos sobre riscos de acidentes, pedimos para que recolham todos os pregos, que deixem o corte a enxada virado para baixo e tomem cuidado com objetos pontiagudos. Temos toda a documentação exigida para erguer um prédio".
VISITAÇÃO. Quem quiser conferir de perto o trabalho dos voluntários da construção, pode comparecer neste domingo à rua Angelino Stela, quase esquina com estrada dos Marins, no Jupiá, onde estarão cerca de 150 pessoas na obra.

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