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Mercado de batom
Marketing feminino Especialista confirma crescimento, na última década, do número de mulheres nos negócios
DANIELE RICCI Da Gazeta de Piracicaba daniele.ricci@gazetadepiracicaba.com.br
Nos últimos 10 anos, o mercado de trabalho brasileiro passou a contar com uma força que mescla criatividade, praticidade, delicadeza e vaidade. Aumentou em 300% a participação feminina no trabalho fora de casa e isso se deve à necessidade de melhorar a receita familiar e também de consumir as facilidades que o próprio mercado oferece.
Essa alta colocou o Brasil em 9º lugar no ranking dos países mais empreendedores do mundo. Quem afirma é uma representante da classe, a pesquisadora na área de marketing empresarial e pessoal, Fádua Sleiman. Com o tema "Sou mulher e arraso na empresa!", ela foi uma das palestrantes da 3ª Fenep (Feira de Negócios Empresariais), que terminou na sexta-feira (24), no Engenho Central.
Segundo Fádua, apenas 2% das mulheres brasileiras ocupam cargos de chefia ou presidência nas empresas, um número que não ultrapassa os 4% no mundo. "Isso ocorre, principalmente, devido à falta de preparo das mulheres para o mercado de trabalho, pois muitas foram criadas para serem esposas e mães e não empresárias. Por outro lado, existem ainda muitos preconceitos e a questão das políticas salariais, diferentes para homens e mulheres", disse.
Fádua é especialista em franquias e afirma que, nesse ramo, as mulheres são a maioria, por darem preferência a negócios já formatados, confortáveis e sem muitos riscos. "O empreendedor é ágil, perspicaz, tenaz, comprometido e não tem medo de trabalhar. As mulheres hoje em dia estão abrindo mão de casamento e filhos para investir nas carreiras e mesmo as casadas, acabam colocando a profissão em primeiro lugar, já que manter a vaidade é caro", afirmou.
Para os franquiadores, isso é uma vantagem, já que as empreendedoras costumam ter mais facilidade para seguir regras que os homens, mais contestadores. Entre as franquias mais apreciadas por elas, estão as das áreas de cosméticos, vestuário, academias, roupas de fitness e, em 70% dos casos, escolas de idiomas. Nos negócios em que administra, também é a mulher a responsável por gerar mais empregos para ambos os sexos.
Na opinião da especialista, as mulheres precisam aprender a se arriscar mais. A geração das mulheres de 30, segundo ela, teve mais sorte que as anteriores, porque se depara com um mercado mais facilitado, que leva as empresas a buscarem competência, independente se essa capacidade é pertinente a um homem ou mulher.
BATOM. "Marketing de Batom" é o livro lançado por Fádua Sleiman, uma compilação de suas experiências em 20 anos de trabalho. A autora define batom não apenas como um cosmético, mas utiliza as letras da palavra como receitas de benchmarketing.
Segundo ela, a letra B é de Busca por informações. "Não devemos delegar a outras pessoas o trabalho de nosso interesse, aquilo que depende do bom resultado." A letra A é de Assertividade, capacidade de definir o que se deseja e deixar claro o que incomoda. A letra T é de Testosterona, hormônio masculino, que precisa se assimilado pelas mulheres para que sejam menos emoção e mais razão. A letra O é de Orientação profissional, uma escolha que leva à necessidade de traçar metas objetivas que não passam pelo modismo. A letra M é de Marketing de guerrilha, que exige a elaboração de estratégias diárias de conduta profissional. "Entre elas, é necessário usar o cartão de visitas, fazer o retorno pós-vendas, cuidar dos detalhes - extremamente importantes -, estar sempre atenta ao cliente e cautelosa com a concorrência feminina", falou a escritora.
Aprender a pontuar as emoções também é uma necessidade. "É preciso aprender a trabalhar a emoção, a inteligência emocional, mas não se pode ser apenas razão. É uma questão de equilíbrio." A pesquisadora aponta que 80% do poder de compras do mundo está nas mãos das mulheres, que acabam ditando as regras do consumo, mesmo não estando no poder e isso tem levado as grandes empresas a investir nos detalhes de seus produtos para fazer um agrado e conquistar o público feminino.
FRÁGIL? De acordo com o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), as mulheres brasileiras representam hoje 52% dos empreendedores adultos. Pesquisa recente divulgada pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), em parceria com o Sebrae, o empreendedorismo entre as mulheres deu um salto significativo em relação à pesquisa anterior. Em 2001, os homens empreendedores representavam 71% contra 29% das mulheres. Em seis anos, elas passaram a representar quase o dobro - 52% dos empreendedores adultos, considerando a faixa etária entre 18 e 64 anos. A pesquisa é realizada em 31 países, sendo que as brasileiras ocupam a 7ª posição entre as mais empreendedoras, com uma taxa de 12,71%. São cerca de oito milhões de mulheres empresárias em todo o País.

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