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Cidade
Babá de cães
Piracicabana se especializa em passear e tomar conta dos animais em casa
LUCIANA CARNEVALE
Em meio a um dia atribulado de trabalho, o telefone toca. Do outro lado da linha, o marido faz um convite à mulher. 'Vamos jantar fora hoje, pra relaxar?' Por alguns instantes, o entusiasmo dá lugar a uma certa preocupação: afinal, o que fazer ou com quem deixar Beth, a cadela considerada uma filha pelo casal?
A piracicabana Mariana Höfling, 30, paisagista por vocação e 'dog sitter', ou babá de cães, por puro amor, decidiu inovar ao disponibilizar serviços que facilitam e muito a vida dos donos dos animais. Além de oferecer passeios com cachorros de todos os portes e pelagens, o chamado 'dog walker', criou o modelo pioneiro 'dog sitter', que consiste num trabalho bem semelhante ao realizado por babás de crianças.
Pela manhã ou à tarde, dependendo da exigência do cliente, Mariana brinca, oferece água, ração, dá banho e trata do cachorro com todo carinho. Tudo na casa das pessoas que a contratam. Os gatos também podem ser atendidos, mas os passeios com eles são raros muito por conta da independência da espécie. "Os gatos são mais ariscos", enfatiza.
Segundo Mariana, se os donos tiverem de viajar a passeio, ou mesmo a trabalho, e não quiserem deixar o cachorro, pequeno, médio ou grande, num hotel especializado ou aos cuidados de outras pessoas, ainda que da família, as novas opções acabam sendo muito bem-vindas.
Mariana, que cobra R$ 25,00, por dia, para o serviço nas casas, térreas ou apartamentos, e R$ 10,00, por hora, para passeios que não duram mais que duas horas, até para não cansar os animais - os pagamentos são feitos mensalmente -, conta que a dedicação pelos cães é antiga. "Me lembro de ter tido contato direto com cães logo no primeiro ano de vida", explica.
Dona de cinco cachorros, sendo cinco vira-latas e dois de raça, ela ainda reserva um tempo na agenda atribulada para caminhar com os 'filhos'. Como durante o dia é necessário dividir as tarefas entre os cães e o trabalho de paisagismo que desenvolve acompanhada por uma amiga, Mariana prefere passear mais à noite.
Antenada com as novidades, a 'dog sitter' pretende ir além, criando, ainda este ano, uma creche para cachorros. Pela proposta, os animais permaneceriam no local durante o dia e voltariam para casa para dormir. "É um sonho que pretendo realizar logo", explica.
Tudo começou há quatro anos, quando a babá de cães começou a passear com animais de amigos. A tradicional propaganda 'boca a boca' ou 'focinho a focinho', numa referência aos cachorros, deu tão certo que a freguesia aumentou muito. Mariana frisa que gosta de passear pela manhã e à tarde, quando o sol é menos forte.
"Por enquanto, durante o horário de verão, até que é possível estender um pouco o tempo das caminhadas, mas é bom passear sob o sol a pino", diz. Quando é contratada, verifica se os cães foram vacinados ou se receberam vermífugos para a eliminação de carrapatos, sarnas e outros males. O envolvimento entre babá e cachorro é tão grande que Mariana nunca foi mordida ou atacada pelos animais. Pelo contrário.
Ainda não teve a chance de caminhar ao lado de pit-bulls ou rottweillers, considerados mais bravios, mas não faz restrições para os atendimentos. "Eles gostam dos passeios, curtem ser bem-tratados", afirma. O objetivo é justamente esse: desestressar os cães, estimulando a socialização deles com outros cachorros, e até mesmo com pessoas, que ainda temem a presença desses animais por perto. Na sexta-feira (16), pela manhã, ela conduziu, com coleira curta, mas muito cuidado, a 'dog alemã' Nina, que pesa 45 quilos e tem apenas oito meses de idade.
Com pêlos na cor cinza e muito elegante, Nina impressiona pela imponência. Em pé, fica mais alta que uma pessoa de estatura mediana. Apesar de um certo gigantismo, Nina é dócil e não se importa com os latidos nervosos de outros cães que acompanham o passeio em casas situadas na vizinhança.
Durante o passeio, os cães fazem xixi e cocô, mas a 'dog sitter' se previne carregando, na pochete que traz amarrada à cintura, alguns saquinhos de plástico. As fezes são acondicionadas nessas embalagens e devidamente descartadas nas lixeiras. Em geral, ao contrário do que acontece na Argentina, por exemplo, onde vários cães caminham ao lado dos condutores, Mariana prefere levar no máximo dois cachorros.
Um luxo necessário
Por enquanto, a clientela de Mariana é formada, na grande maioria, por piracicabanos que têm mais recursos financeiros. Ao todo, a babá tem cinco cães para passeios e outros 10 tratados em casa. "Admito que, no Brasil, os serviços ainda são vistos como algo para poucos e bons, um luxo, mas é, ao mesmo tempo, muito benéfico tanto para animais, que acabam se divertindo, tornando-se mais saudáveis, quanto para os donos, que ficam menos preocupados com o destino de suas crias. Vale muito a pena. É muito seguro", salienta.

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