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Reino Unido e Irlanda pedem calma diante da violência na Irlanda do Norte

Por AFP

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O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e seu homólogo irlandês Michael Martin pediram calma nesta quinta-feira (8) após as "violências inaceitáveis" registradas na Irlanda do Norte nos últimos dias.

"Destacando que a violência é inaceitável, pediram calma", disse o escritório do primeiro-ministro irlandês em um comunicado, divulgado depois que os dois líderes conversaram por telefone.

O conflito aumenta na região desde a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), cujas consequências provocaram um sentimento de traição entre os unionistas apegados à coroa britânica.

As tensões provocaram uma semana de distúrbios, com o uso de projéteis e o incêndio de veículos, principalmente nas zonas de maioria protestante.

Os incidentes reavivaram o fantasma das três décadas de conflito violento entre republicanos católicos e unionistas protestantes, que deixaram quase 3.500 mortos até a assinatura do acordo de paz em 1998.

"A destruição, a violência e as ameaças são completamente inaceitáveis e injustificáveis, independentemente das preocupações que existam nas comunidades", afirmou o governo autônomo norte-irlandês - constituído por unionistas, republicanos e centristas -, que se declarou "gravemente preocupado".

"Apesar de nossas posições políticas muito diferentes em vários temas, todos estamos unidos em nosso apoio à lei e à ordem", completaram.

O Parlamento regional da Irlanda do Norte interrompeu o recesso da Semana Santa para uma sessão especial, durante a qual os deputados aprovaram uma moção de condenação à violência.

"Os responsáveis devem ser submetidos a todo rigor da lei, porque todos devem ser iguais perante a lei", escreveu no Twitter a primeira-ministra de Irlanda do Norte, a unionista Arlene Foster.

A violência "não se exerce em nome das pessoas que vivem nas zonas unionistas", disse ela depois aos deputados.

Denunciando uma "perigosa escalada", sua vice-primeira-ministra Michelle O"Neill, do republicano Sinn Fein - ex-braço político do IRA -, acusou os grupos paramilitares unionistas de incitarem os jovens adolescentes a enfrentar a polícia.

E a ministra da Justiça, Naomi Long, do centrista Partido da Aliança, denunciou as promessas não cumpridas do governo britânico sobre o Brexit, afirmando sentir "simpatia pelas pessoas daqui que se sentem traídas".

A quarta-feira foi a sexta noite consecutiva de violência, o que demonstra o crescente conflito existente na região.

Quase 600 pessoas se reuniram em Lanark Way, uma área da zona oeste de Belfast onde foram instaladas grandes barreiras de metal para separar um bairro católico de outro protestante.