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CHUVAS
Piracicaba fica debaixo d'água
Vários pontos da cidade ficaram alagados e ao menos 20 árvores caíram

Por Adriana Ferezim

O trânsito parou e carros tiveram dificuldades em cruzar rotatórias e vias alagadas

Crédito: Mateus Medeiros

O trânsito parou e carros tiveram dificuldades em cruzar rotatórias e vias alagadas

Avenidas viraram rios nesta quarta-feira (18), carros foram arrastados e ao menos 20 árvores caíram com o vento forte e a grande intensidade de chuva que atingiu a cidade, em pouco tempo, complicando a vida dos piracicabanos pela segunda vez nessa semana. Os problemas aconteceram em todo o município, do Campestre a Ártemis.
Na segunda-feira (16), a região mais afetada pelo temporal foi a da Vila Rezende, Nova Piracicaba e Castelinho. Nesta quarta, a chuva começou por volta das 15h50 e seguiu até próximo das 19h. Dados da Rede Telemétrica Piracicaba do Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo (Saisp), registraram entre 15h50 e 18h um volume de 44 milímetros de chuva. A prefeitura informou que choveu 30 mm. O nível do Piracicaba saiu de 74,76 metros cúbicos de água por segundo (m3/s) para uma vazão de 154,58 m3/s, entre 15h50 e 18h.
Pelas redes sociais moradores e a população divulgaram o estrago por onde passavam, como alagamentos, carros sendo arrastados, caçamba, árvores caídas e até fios de alta tensão com faíscas de eletricidade, como ocorreu entre a rua Boa Morte e a rua do Rosário, no Centro. Muitos locais tiveram o fornecimento da energia interrompido.
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Sônia, funcionários tiveram que puxar a água que entrou na unidade pela porta da entrada, após a calçada não dar conta do volume e da força da água.. Em Ártemis, apesar de uma obra realizada para substituição das manilhas recentemente, a avenida Fioravante Cenedese alagou.
De acordo com a prefeitura, o grande volume de água em pouco tempo causou alguns pontos de alagamentos. "Foram registrados alagamentos na avenida Armando de Salles Oliveira, 31 de Março, Alberto Vollet Sachs e Piracicamirim. O ribeirão Piracicamirim transbordou em alguns trechos", informou em nota.
Todos os semáforos da avenida Independência, no trecho entre a Santa Casa até o campo do XV estavam inoperantes, como ocorreu com os da avenida Armando de Salles Oliveira, que mais uma vez foi a mais atingida pela enchente, provocando dificuldades para os trabalhadores que saíram do comércio. Não conseguiam atravessar a via para entrar no Terminal Central de Integração (TCI). Houve aglomeração para aguardar os ônibus que paravam do outro lado do terminal.
Na estrada velha para Tupi, o trânsito ficou lento, com tráfego em meia pista por conta da queda de bambuzal.
Na rotatória da prefeitura também houve muito trânsito congestionado, mas sem alagamentos. No entanto, na estrada do Bongue houve alagamento.
Água invade casas
Na rua Mamede Freire, no Jardim Nova Iguaçu, a chuva provocou a inundação da via e invadiu diversas casas. "O problema é antigo e a administração não resolve", reclama Elisangela Nunes Vicente, que há 23 anos mora no bairro. Ela contou que na última reclamação protocolada a resposta da Secretaria Municipal de Obras foi de que o problema estava resolvido. O que não procede. "Temos ideias e soluções, mas a prefeitura não ouve os moradores", disse Elisângela.
Também na rua professor João Teixeira de Lara, 35, Jardim Primavera, a chuva provocou o retorno do esgoto na casa da moradora Maria Machado Rodrigues. "Minha lavanderia e quintal ficaram cheios de esgoto. Quando a gente reclama do problema no Semae eles vêm aqui fazem uma limpeza, mas o problema volta", falou indignada a moradora.
Na Caterpillar, o sistema de calha e boca de lobo não deu conta do volume de água da chuva, que teve uma parte da fábrica invadida. Segundo a empresa, o problema foi pontual e prontamente solucionado, porque todo o piso é preparado para o escoamento rápido da água e a produção não foi afetada.
Arrastados
Muriel Spolidório estacionou o seu prisma prata, às 16h, embaixo de uma árvore na rua Gomes Carneiro, em frente ao Colégio Dom Bosco. Ela disse que o céu estava cinza e quando já estava dentro da escola escureceu de repente. Ela conta que a força do vento acabou derrubando a árvore que, por sorte, tombou do lado. “Nunca imaginei que aquela árvore fosse cair”, comenta. O carro teve apenas um risco causado pela calçada e raiz que se levantaram.
Outros não tiveram a mesma sorte, moradores registraram dois veículos danificados após terem sido arrastados na rua Rangel Pestana. Outros pontos também tiveram veículos levados pela força da água da chuva.
Árvores
O vento do temporal de ontem chegou a 54 quilômetros por hora (Km/h), às 16h15, segundo registro da estação meteorológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), localizada no bairro Areão . A temperatura máxima de ontem foi 28,4ºC e o volume de chuva apurado foi de 21,1 milímetros, conforme informações do Departamento de Biossistemas da Esalq/USP.
O vento forte derrubou ao menos 20 árvores. A Travessa da Saudade, atrás do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) ficou interditada com a queda de duas árvores. O vento forte derrubou árvores em diversos bairros. A prefeitura informou que aforça-tarefa que envolve secretarias municipais, além do Corpo de Bombeiros e CPFL, trabalharam, coordenados pela Defesa Civil, para liberar vias e atender a população atingida. Os danos são materiais. Não houve vítimas.
De acordo com a Defesa Civil, até as 18h, haviam sido registradas mais de 20 ocorrências de queda de árvores. Entre elas, na Paulista, na Estação da Paulista, Chácara Nazareth, Pauliceia, Santa Terezinha, Higienópolis e Jardim Europa. No Perdizes, uma árvore caiu sobre uma casa e no Santa Rita Avencas, sobre um veículo.
Na rua Luiz de Queiroz, foi registrada queda de árvore e de poste. No Bairro Alto, na travessa da Saudade com rua XV de Novembro, a queda de uma árvore interrompeu o trânsito e o fornecimento de energia. Houve bloqueo do trânsito, também, na avenida Antonia Pazzinato Sturion, no Morumbi, por conta de uma árvore caída.
O diretor da Defesa Civil, Odair Mello, explica que o atendimento aos casos foi feito conforme a urgência, com prioridade para pontos onde o trânsito está interrompido e o acesso às residências também.
A Sedema estima que a chuva de segunda-feira provocou a queda de, aproximadamente, 70 árvores no município. Até a tarde de hoje (18), antes do novo temporal que atingiu a cidade, as equipes da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), da CPFL e do Corpo de Bombeiros executavam serviços para sanar os estragos causados pela chuva da última segunda-feira (16) - especialmente nos bairros Nova Piracicaba, Castelinho e Vila Rezende.
Coordenados pela Defesa Civil, servidores da Sedema já haviam feito os serviços de erradicação/remoção de 24 árvores (aquelas que caíram ou que ficaram comprometidas, oferecendo risco à população) e poda de 15 árvores.
Na tarde de ontem, funcionários da Engemaia - empresa terceirizada da Sedema que executa serviços de poda e corte de árvores - trabalharam na remoção de quatro grandes ipês que caíram na rua João Moretti. Também retiraram uma árvore de grande porte na rua Virgulino de Oliveira (uma grande tipuana que derrubou o muro de uma residência) e uma árvore oiti na rua das Rolinhas.
Esse serviço de retirada das árvores - que envolve a remoção da mesma, a fragmentação dos troncos e a moagem de galhos e folhagens -, também foi realizado nas seguintes vias: rua da Glória, rua Pereira Barreto, rua Antônio Vieira de Maia, rua Conde do Pinhal (esquina com a rua Primavera), rua Antônio Diniz, rua Cícero Pompeu de Toledo, rua Luiz Arzola, rua Assis Chateubriand, rua Padre Joquim do Canto, rua das Sesmarias, rua Dr. Kok, rua das Juritis e rua dos Gerânios; avenida Marechal Castelo Branco (Zoológico Municipal), avenida São Pedro, avenida Barão da Serra Negra (esquina com rua Dona Lídia) e avenida Armando Cesare Dedini.
As 15 intervenções de poda realizadas, até agora, pela Sedema ocorreram em árvores localizadas nas ruas Luís de Camões, Cardeal Arcoverde, Maria Stênico, das Sesmarias, dos Paturis e das Juritis. “As equipes estão se empenhando ao máximo para colocar a cidade em ordem o mais breve possível”, declara o secretário municipal de Defesa do Meio Ambiente, José Otavio Menten.
Odair Mello, diretor da Defesa Civil, salienta que “os trabalhos das equipes continuarão até a normalização da situação nos bairros”. “Em caso de novas ocorrências por causa da chuva, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou a Guarda Civil de Piracicaba pelo 153”, orienta.