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Trump quer voltar a fazer campanha e virar a página da covid-19

Por AFP

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca encurtar sua desvantagem nas pesquisas contra o candidato democrata Joe Biden e quer retornar à campanha nesta sexta-feira (9), uma semana depois de ter sido hospitalizado por covid-19.

Faltando vinte e cinco dias para as eleições de 3 de novembro, Trump procura esquecer o confinamento ao qual é submetido com uma "reunião de rádio" virtual organizada por Rush Limbaugh, famosa emissora conservadora.

À tarde, tem agendada sua primeira entrevista para a televisão desde o anúncio de seu contágio, com o jornalista "amigo" Tucker Carlson, da rede Fox News.

"Ele está pronto para sair. Ele quer falar com o povo americano", disse sua assessora de imprensa, Kayleigh McEnany, também infectada com o novo coronavírus, que já matou mais de 212.789 no país, mais do que em qualquer outro lugar do mundo.

No sábado (10), ele planeja viajar para a Flórida e na segunda-feira (12) para a Pensilvânia, dois estados importantes para chegar à Casa Branca e onde Biden tem vantagem. Em 2016, Trump conseguiu, com esses dois estados, sua vitória surpresa sobre Hillary Clinton.

Trump passou três noites no hospital no último fim de semana após pegar covid-19, e o resto da semana recebeu uma terapia experimental com anticorpos, o antiviral remdesivir e um corticoide.

Na quinta-feira, seu médico anunciou que a partir de sábado ele retornará aos seus "compromissos públicos com segurança".

Sua atitude em relação ao vírus e sua gestão da pandemia são criticadas por seus opositores.

Seu estado de saúde gera ceticismo, visto que os médicos não publicaram dados importantes, incluindo uma explicação precisa de quando ele foi infectado e quando foi submetido ao último teste de coronavírus e se deu negativo.

Informações públicas, como o fato de que ele foi tratado com corticoide, sugerem que seu quadro viral pode ter sido grave no início, levantando dúvidas sobre se ele precisa ficar mais tempo em quarentena.

Somado a esta pressão está o ataque dos democratas no Congresso, depois que a Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, anunciou que quer estabelecer uma comissão para inquirir sobre a capacidade de Trump de governar e se a 25ª Emenda deve ser aplicada.

Enquanto isso, Biden aumenta sua liderança nas pesquisas e especialistas especulam abertamente sobre a possibilidade de uma vitória esmagadora.

O flanco principal de Trump - sua gestão da pandemia - voltou à tona com seu contágio.

Com a campanha na reta final, muitos pensavam que Trump usaria um dos três debates para tentar desferir um golpe em Biden, tardio mas definitivo. Essa possibilidade, no entanto, também está sendo distorcida.