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Dois jihadistas da célula "Beatles" comparecem à justiça dos EUA

Por AFP

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Dois jihadistas de uma célula do grupo Estado Islâmico (EI), responsável pela execução de vários reféns ocidentais, serão apresentados a um juiz norte-americano nesta sexta-feira (9), na primeira etapa do julgamento dos cruéis "Beatles".

Apelidados por seus reféns por causa de seu sotaque inglês, Alexanda Kotey, de 36 anos, e El Shafee el-Sheikh, 32, foram transferidos do Iraque para os Estados Unidos na quarta-feira e estão detidos em um local secreto na Virgínia, perto de Washington.

Na quinta-feira, um grande júri os indiciou pelo sequestro e assassinato de quatro americanos: os jornalistas James Foley e Steven Sotloff, cuja decapitação em 2014 foi encenada em vídeos que chocaram o mundo, e os ativistas de direitos humanos Kayla Mueller e Peter Kassig.

Na quarta-feira, um juiz de plantão leu a acusação para eles em uma curta aparição em vídeo e designou defensores públicos. Ambos devem comparecer novamente nesta sexta-feira perante o magistrado para estabelecer as condições de sua detenção.

Mais tarde, eles aparecerão pela primeira vez perante o juiz T. S. Ellis III, um experiente magistrado que deverá presidir seu julgamento. Nessa apresentação, eles devem dizer se pretendem se declarar culpados.

Os dois homens, que cresceram e se radicalizaram no Reino Unido antes de ingressarem no Estado Islâmico (EI) na Síria em 2012, perderam a nacionalidade britânica.

Eles faziam parte de um quarteto que, de acordo com vários centros de pesquisa dos EUA, sequestrou e decapitou 27 reféns, incluindo civis sírios.

"Seus métodos sádicos não conheciam limites, incluindo crucificação, afogamento, execuções simuladas", relataram os pesquisadores Anne Speckhard e Ardian Shajkovci - que conheceram Kotey em sua cela na Síria - em um artigo para o Centro Internacional de Estudos de Violência Extremista (ICSVE, na sigla em inglês).

A figura mais proeminente do grupo, Mohammed Emwazi, apelidado de "Jihadi John", se destacou por aparecer todo vestido de preto com uma faca de açougueiro em vídeos de propaganda do EI. Ele foi morto em um bombardeio americano na Síria em novembro de 2015.

Kotey e el-Sheikh foram capturados em janeiro de 2018 por forças curdas na Síria e colocados sob controle militar dos EUA no Iraque em outubro de 2019, na época da ofensiva turca no norte da Síria. O quarto membro, Aine Davis, está preso na Turquia.

Em 2015, os Estados Unidos apresentaram um pedido de assistência jurídica às autoridades britânicas para a obtenção de provas para um julgamento em solo americano.

Londres interrompeu sua cooperação em 2018, depois de ser criticada por não garantir que os jihadistas não fossem submetidos à pena de morte.

A situação foi desbloqueada em agosto, quando Washington prometeu não pedir a pena de morte contra os dois homens. Assim, a justiça britânica entregou as provas solicitadas, abrindo caminho para a acusação e transferência.