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ECONOMIA
Busca por crédito aumentou 306,8%
Piracicaba tem alta procura por financiamento no Banco do Povo; cresce abertura de empresas no estado

Por José Ricardo Ferreira

O secretário Evandro Evangelista observa que a pandemia levou as pessoas a procurarem ajuda financeira

Crédito: Divulgação

O secretário Evandro Evangelista observa que a pandemia levou as pessoas a procurarem ajuda financeira

A concessão de microcrédito no Banco do Povo Paulista de Piracicaba mais do que triplicou de janeiro a setembro desse ano em comparação ao mesmo período de 2019.
O valor saltou de R$ 565,3 mil para 1,7 milhão, alta de 306,8%, segundo informou o secretário municipal de Trabalho e Renda (Semtre), Evandro Evangelista. Em sua análise, a Covid-19 determinou esse crescimento. “Aumentou a procura por informações e por empréstimo durante a pandemia”, constatou.
A pandemia do novo coronavírus, decretada em março desse ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), levou muitos estabelecimentos e prestadores de serviço a perderem renda ou até a encerrarem suas atividades.
Dessa forma, o isolamento social e a paralisação de atividades econômicas deram espaço à busca do microcrédito no país. Trata-se de um empréstimo dirigido aos microempreendedores, sobretudo os informais – um segmento que está sentindo fortemente os impactos da Covid-19 e que tem pouca chance no mercado de crédito bancário.
Evangelista explicou que os recursos do Banco do Povo são destinados a investimentos em qualquer área de empreendedorismo, tanto para pessoa física quanto jurídica, inclusive rural.
“A maioria dos empréstimos é para o comércio e depois prestação de serviços em geral”, descreveu o secretário em relação à demanda em Piracicaba.
O secretário ainda explicou que quem toma emprestado usa o dinheiro para investimento fixo, capital de giro, que é para compra de mercadorias, e também pagamento a fornecedores e despesas do estabelecimento quando autorizado pelo programa.
Só para se ter uma ideia, disse Evangelista, 2.182 pessoas procuraram a Semtre em busca de informações sobre o Banco do Povo de janeiro a setembro.
Evangelista disse ainda que o microcrédito também serve para pagar as despesas do estabelecimento que contraiu o empréstimo.
Segundo ele, o pagamento pode ser feito em 24 parcelas. Nesse momento de pandemia, o Banco do Povo criou uma linha específica que deu um prazo maior para quem captou os recursos. “Mas ela se encerrou. O Banco do Povo tem o que chamamos de juros sociais”, disse Evangelista.
Desde a quinta-feira passada, os juros praticados variam a partir de 0,8% ao mês e demais encargos. Tudo depende se o pedido de microcrédito parte de pessoa física ou jurídica. O valor, sempre de acordo com a categoria, é a partir de R$ 200 e pode chegar a R$ 21 mil, nesse caso para pessoas jurídicas.
Como obter
O Banco do Povo é um programa de microcrédito produtivo desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico em parceria com as prefeituras, para concessão de linhas de credito a empreendedores formais ou informais, produtores rurais, cooperativas e associações produtivas formalmente constituídas.
De acordo com a Semtre, podem buscar o microcrédito as pessoas que desenvolvem atividade produtiva nos municípios contemplados pelo Banco do Povo em Piracicaba.
Se for pessoa física deve residir ou possuir um empreendimento há mais de dois anos no município e não possuir restrições no Cadin Estadual e Serasa.
Os financiamentos, como disse Evangelista, podem ser para capital de giro, por exemplo, abertura e regularização de empresas, matéria-prima, se for agricultor na preparação de solo; investimento fixo (equipamentos de informática, construção de poços artesianos, tratores e implementos agrícolas etc).
O crédito pode ser solicitado diretamente pelo site: http://semtre.piracicaba.sp.gov.br/banco-do-povo/. Mais informações também estão disponíveis no site da Semtre: www.semtre.piracicaba.sp.gov.br.
Reação
São Paulo registrou novo recorde histórico de abertura de empresas no estado. O apurado no mês de setembro foi de 23.205 novos cadastros de pessoas jurídicas, somando-se os números dos 645 municípios paulistas. Esta é a maior marca alcançada desde 1998, ano em que foram iniciados os levantamentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e responsável pelos registros mercantis no Estado.
Também foi registrado o menor número de encerramentos de empresas nos últimos dois meses, com 9.859 baixas. Com isso, o estado contabilizou o maior saldo líquido anual: 13.346 novos CNPJ’s. Comparado ao mês anterior, o saldo é 14,9% maior, com 11.614 cadastros encerrados. O aumento chega a 29% na comparação com setembro de 2019, quando foram abertas 10,3 mil empresas.