Últimas Notícias
Paulo Coelho
Em busca do sonho

Por Paulo Coelho

Crédito: Niels Ackermann/Rezo

Quem ousa ter um projeto em sua vida, que ousa largar tudo para viver sua Lenda Pessoal, acabará conseguindo. O importante é manter o fogo no coração, e ter fibra para ultrapassar os momen­tos difíceis.
Lembrem-se: o desejo que está em nossa alma não veio do nada; Alguém o colocou ali. E este Alguém, que é puro amor e deseja apenas nossa felicidade, só fez isso porque nos deu, junto com o desejo, as ferramentas para realizá-lo.
A subida arriscada
Durante uma tempestade, o peregrino chega numa hospedaria, e o dono lhe pergunta onde está indo.
- Vou até as montanhas - responde.
- Desista - diz o dono. - É uma subida arriscada, e o tempo está ruim.
- Irei, sim - responde o peregrino. - Se meu coração chegou lá primeiro, será fácil segui-lo com meu corpo.
Qual o preço?
- O preço de viver um sonho é muito maior do que o preço de viver sem arriscar-se a sonhar? - perguntou o discípulo.
O mestre levou-o a uma loja de roupas. Ali, pediu que experi­mentasse um terno exatamente do seu tamanho. O discípulo obede­ceu, e ficou maravilhado com a qualidade da roupa.
Em seguida, o mestre pediu que experimentasse o mesmo terno - mas de um tamanho muito superior ao seu. O discípulo fez isto.
- Esse não serve. Está muito grande.
- Quanto custam estes ternos? - perguntou o mestre ao vendedor.
- Os dois custam o mesmo preço. Apenas o tamanho é diferente.
Na saída da loja, o mestre comentou com seu discípulo:
- Viver o sonho, ou abandonar o sonho, também custa o mesmo preço, geralmente muito caro. Mas a primeira atitude nos leva a comungar com o milagre da vida, e a segunda não nos serve para nada.
A busca do caminho
- Estou disposto a largar tudo. Por favor, me aceite como discípulo.
- Como um homem escolhe seu caminho?
- Pelo sacrifício. Um caminho que exige sacrifício é um caminho verdadeiro.
O abade esbarrou numa estante. Um vaso raríssimo despencou, e o jovem atirou-se no chão para agarrá-lo. Caiu de mal jeito e quebrou o braço, mas conseguiu salvar o vaso.
- Qual é o maior sacrifício: ver o vaso espatifar-se, ou quebrar o braço para salvá-lo?
- Não sei.
- Então não tente orientar sua escolha pelo sacrifício. O camin­ho é escolhido por nossa capacidade de nos comprometer com cada passo que damos enquanto o percorremos.