DE OLHO NO FUTURO
UM NOVO HORIZONTE
Pandemia nos força a exigir Centros Urbanos mais organizados

Por José Ricardo Ferreira

Piracicaba completa 253 anos em 2020

Crédito: Mateus Medeiros

Piracicaba completa 253 anos em 2020

Piracicaba chegou aos seus 253 anos em um cenário de pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). A exemplo de outros Centros Urbanos, a cidade também precisa se repensar para o amanhã. Especialistas pregam que a pandemia nos mergulhou em "uma era das incertezas". Alguns aspectos, porém, são evidentes. Por exemplo, o Setor Público, o Comércio, os Serviços e a Indústria precisam se aperfeiçoar cada vez mais, pois o consumidor e o contribuinte com certeza ficarão mais exigentes após essa pandemia.
Willian Rigon é consultor especialista em Inteligência de Mercado para Desenvolvimento de Projetos Imobiliários e Urbanos, como bairros planejados e cidades inteligentes. Ele é sócio e diretor comercial e de Marketing da Urban Systems. O executivo é responsável pelo Ranking Connected Smart Cities, estudo elaborado pela Urban Systems, em parceria com a Necta. Piracicaba, por exemplo, deixou a 35ª e assumiu a 21ª posição, como a cidade mais inteligente do Brasil em 2019, segundo o Ranking.
Rigon explicou que as pessoas se tornarão mais exigentes depois da Covid-19, pois elas desejam melhorar a vida e querem soluções. "As pessoas não querem mais ficar no trânsito. Querem mobilidade e tecnologias para encurtar as distâncias", afirmou. Não dá para afirmar que Piracicaba entrará na era das cidades inteligentes. Só o tempo dirá. Talvez, esperar isso de quaisquer cidades seria um equívoco. Mas há empresas e homens públicos com um olhar além. Com certeza.
Rigon entende que a pandemia força o Comércio, o Ensino e os Serviços a se moverem diante das adversidades. "Para sobreviver é preciso repensar as atitudes. Oferecer serviços digitais, por exemplo".
Ele lembrou, ainda, que não é apenas o setor privado que está sendo forçado a se repensar. O Setor Público também. "O cidadão está exigindo mais do Privado, mas começará a ser mais exigente com os serviços públicos". Isso significa que o contribuinte quer estar menos presente para cobrar ou pagar algo. "Ser menos presencial e mais digital. O gestor público precisa implementar mais tecnologias em seus atendimentos".
Claro que investimentos têm altos custos. Mas não dá mais tempo para postergar mudanças. A tecnologia, dessa forma, deve ter viés de agregação e não de segregação. "Mas sabemos que a realidade da população brasileira não é de uma integração tecnológica. Mas é preciso mudar isso", disse Rigon.
Ele observou que o Comércio e os Serviços estão se adequando mais rapidamente. São mais vendas eletrônicas e isso chegou para ficar. "As pessoas aprenderam a ficar mais seguras com as compras online. O Comércio vai usar mais a Logística e acelerar". Rigon reforçou, porém, a importância da Mobilidade Urbana. Esse é um sério problema nas cidades que precisam de um replanejamento urbano e se preocupar mais com o Meio Ambiente.
A Covid-19, entende ele, nos mostrou a importância de ficar no próprio bairro para fazer as compras, estudar, trabalhar, se divertir e ter os serviços na localidade onde mora ou bem próximos a ela. "Precisamos de bairros planejados e a mobilidade passa também para meios de deslocamento menos poluentes, como uso de bicicletas em vias seguras. Isso é um exemplo de cidades inteligentes", afirmou Rigon.