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Oposição volta a se manifestar em pleno confinamento em Buenos Aires

Por AFP

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Uns 300 opositores protestaram neste sábado (1) em frente ao Obelisco de Buenos Aires, apesar do confinamento, em repúdio ao projeto de reforma judicial do governo de Alberto Fernández, a quem acusam de tentar a "impunidade" para sua vice-presidente, a ex-mandatária Cristina Kirchner (2007-2015).

O "bandeiraço", convocado pelas redes sociais e menos numeroso do que a marcha "anti-quarentena" de 9 de julho, transcorreu sem incidentes na capital, onde vigoram medidas de isolamento social obrigatório por causa da pandemia do novo coronavírus, que até agora provocou 200.000 contágios e 3.558 mortos na Argentina.

O presidente Fernández apresentou na quarta-feira um projeto de reforça centrado na justiça federal - que se ocupa de casos de tráfico de drogas e corrupção - com a intenção de "superar a crise que afeta a credibilidade" do poder judiciário, disse.

No âmbito federal estão tramitando os processos de suposta corrupção contra a ex-presidente, iniciados durante o governo de Mauricio Macri (2015-2019). O projeto oficial impulsiona o aumento de juizados federais e a nomeação de juízes, mas estipula que nos casos que estão em andamento serão mantidos os magistrados de origem.

Antes de o texto chegar ao Congresso, a coalizão opositora Juntos pela Mudança, liderada pelo ex-presidente Macri, antecipou seu repúdio e denunciou que "o motivo real é a impunidade". Segundo o senador da oposição Esteban Bullrich, a reforma custará entre 5 e 6 bilhões de pesos (65 a 79 milhões de dólares).

"Agora não podemos assumir o que vai custar a impunidade da senhora. Sendo assim, não quero que esta reforma vá adiante", declarou à AFP Rosa Bayón, uma aposentada de 67 anos, presente no protesto.

Gustavo Rodríguez, fotógrafo de 41 anos, afirmou que "há muitas coisas mais importantes do que reformar a justiça, como empresas que quebraram, muitas necessidades".

Outras críticas apontam à seleção de 11 prestigiosos juristas de diferentes áreas e simpatias políticas, convocados por Fernández para formar um comitê assessor porque entre eles está Carlos Beraldi, um dos advogados da ex-presidente.

O comitê assessor vai elaborar uma proposta para fazer mudanças na Suprema Corte, entre eles o possível aumento no número de integrantes, assim como o Conselho da Magistratura, que designa e julga os juízes, e da Procuradoria.

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