INCÊNDIOS EM PIRACICABA
Queimadas em alta
Corpo de Bombeiros de Piracicaba atendeu 114 ocorrências

Por Ana Cristina Andrade

Tenente Michel Leme Beraldo disse que a área total queimada chega a 27,7 hectares

Crédito: Mateus Medeiros

Tenente Michel Leme Beraldo disse que a área total queimada chega a 27,7 hectares

Segunda-feira, 29 de junho de 2020
O Corpo de Bombeiros de Piracicaba atendeu, de 1° de maio a 22 de junho deste ano, 114 ocorrências de fogo em mato, o que resultou na destruição de uma área queimada de 27,7 hectares. Do total, 111 ocorrências foram em áreas de vegetação natural (terrenos baldios, mato em volta de rodovias, terrenos particulares, áreas de preservação permanente ou ambiental) e três em áreas de vegetação cultivada (com plantações). Dos hectares destruídos, 25,8 foi em área de vegetação natural e 1,9 na cultivada. É um número de queimadas que aumentou 52%, se comparado com o mesmo período do ano passado. A informação foi confirmada pelo 1° tenente Michel Leme Beraldo, comandante dos Pelotões de Bombeiros de Piracicaba. Em 2019, ocorreram 75 registros.
“Apesar de ter ocorrido esta alta, em 2018 tivemos 131 ocorrências de queimadas em Piracicaba, de 1° de maio a 22 de junho. Esta época, normalmente, é de seca e a tendência é termos mais fogos em mato. Isso deve ocorrer até mais ou menos início de outubro, que é quando começam as chuvas e essas ocorrências diminuem”, explicou o oficial, que pertence ao 16° Grupamento de Bombeiros sediado em Piracicaba.
A falta de consciência de algumas pessoas, que muitas vezes ateiam fogo em matos ou terrenos simplesmente na tentativa de limpá-los, acaba, de certa forma, comprometendo o trabalho dos bombeiros. Embora nenhum chamado fique sem ser atendido, dependendo da situação, quando eles poderiam reforçar as equipes em determinados locais de ocorrências com vítimas não podem fazê-lo porque estão empenhados no combate ao fogo em mato.
Para se ter ideia da quantidade de chamados que os bombeiros recebem para outras ocorrências em Piracicaba, segundo dados apresentados pelo tenente Beraldo, do início de maio até 22 de junho, foram 435 ocorrências com 459 vítimas. “Não posso afirmar o quanto que deixamos de atender, mas eu falo que com certeza o fogo em mato compromete o atendimento porque, dependendo da área atingida, chega a demorar até quatro horas ou mais para o combate e isso poderia ser evitado”.
O oficial contou à Gazeta uma experiência que viveu muitos anos atrás, quando atendia uma ocorrência de fogo em mato e que a pessoa disse que o fogo estava se aproximando de sua residência. “Eu trabalhava em outra cidade e fomos para o local do fogo em mato. Ao chegarmos lá, era fogo na grama e já havia consumido toda essa grama da frente da casa. Não havia mais nem foco de incêndio ali”, lembrou.
“Começamos a retornar para o quartel e era bem longe de onde foi essa ocorrência - quase divisa com outra cidade. Nesse meio tempo, houve um capotamento com vítima presa às ferragens. Só o resgate estava atendendo”, recordou. “Nós seguimos para este acidente, para apoiar, porém, infelizmente, a vítima não resistiu. Não foi pelo mau atendimento, mas, com certeza, poderia ter tido um atendimento mais rápido se não houvesse essa ocorrência de fogo em mato e a pessoa que nos solicitou tivesse consciência que um fogo em grama poderia ter sido apagado por ela”.
Ele disse que o Corpo de Bombeiros procura fazer o melhor possível, mas o objetivo da corporação é dar um atendimento de qualidade no menor tempo possível. “Mas é difícil a gente abraçar o mundo e dar conta de tudo. Fazemos o possível e é por isso que em Piracicaba temos três bases. Para tentar esticar o braço e alcançar a todos”, completou.
Consciência é tudo
O tenente Beraldo aproveitou para lembrar a população que é preciso ter consciência e não colocar fogo em mato, principalmente nos terrenos baldios. O certo é capinar e não queimar.