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A CONFIANÇA
Marcas conscientizam sobre o novo Coronavírus
Estudo analisa responsabilidade social de empresas na pandemia

Por Adriana Ferezim

Análise. Carlos Zem disse que marcas adotaram novas posturas para ampliar o relacionamento com seus consumidores

Crédito: Divulgação

Análise. Carlos Zem disse que marcas adotaram novas posturas para ampliar o relacionamento com seus consumidores

Segunda-feira, 30 de março de 2020
A postura que algumas marcas passaram a adotar desde o início da pandemia do novo Coronavírus amplia a forte relação entre elas e os seus consumidores. E atendem as expectativas dos clientes que aguardam e até cobram o posicionamento das empresas diante da grave situação mundial. O objetivo das marcas é manter e fortalecer a confiança com seu cliente durante a crise. Elas se colocam como lideranças na propagação de valores que o Estado deixa de desempenhar.
"A relação com o cliente é construída ao longo do tempo, não é possível iniciar o processo durante essa pandemia, ele é contínuo. As marcas apresentam seus propósitos ao público e atendem às cobranças de seus consumidores. Essas empresas estão sendo afetadas também pela crise causada pela pandemia, mas irão se recuperar mais rápido no período pós-crise pela confiança dos seus consumidores, porque são marcas fortes e isso é um diferencial estratégico", afirmou Carlos Alberto Zem, da Zemmarks e do Núcleo de Estudos e Varejo (Neva).
Ele coordenou o estudo Ações e responsabilidades sociais das marcas no contexto da prevenção e colaboração ao enfrentamento da pandemia Covid-19. A análise fez levantamentos entre 16 e 26 de março, por meios digitais de fontes de informação. Foram fechadas lojas nesse período, iniciada a Quarentena e a restrição de circulação, até a recomendação para o isolamento social.
"São muitos os fatores que impactarão os negócios de empresas brasileiras pelos próximos meses. Na semana passada, por exemplo, o ministério da Economia modificou a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2020, de 2,1% para 0. Neste momento de crise e até quando essa situação durar é natural que empresas sejam diretamente atingidas.
Se muitas empresas tentam sobreviver no curto e médio prazos, outras estudam como será o impacto em seus negócios no longo prazo e de que maneira reduzi-lo", informou no estudo. Zem avaliou que as empresas se preocupam em momentos como esse com dois importantes elementos, o caixa da empresa e com seu propósito e valores.
"Preservar o caixa ("Cash is King") auxiliará a empresa na gestão de seus cursos a curto e médio prazos e ter uma marca forte, com posicionamento, propósito, valores e crenças vai ajudar no pós-crise. Até quinta-feira (26), as Redes Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio), Guararapes (Riachuela), Grupo Renner (Camicado, Youcom e Ashua), Magazine Luiza, C&A, Marisa, Lojas Americanas, Centauro e Hering interromperam as atividades de 4.065 lojas.
Essas empresas juntas empregam 171,5 mil funcionários. Não há informação de quantos estão parados e o contingente ainda trabalhando em Operações Internas de Administração, Tecnologia e Comércio Digital. Algumas atitudes foram aprovadas pelos clientes, mas as marcas também tiveram de enfrentar a ira de grupos de pessoas contrários às medidas indicadas pelas autoridades.
"O McDonalds separou os arcos do seu M como forma de indicar a importância do afastamento. Recebeu apoio de clientes, mas críticas de outros e acabou voltando a unir os arcos. O Mercado Livre, que tem no seu logo o aperto de mãos, substituiu pelo cumprimento de cotovelos. Essas ações valorizam a posição da marca e ajudam na conscientização das pessoas diante da pandemia.
As marcas se tornaram instrumentos de inserção social e de referências por isso, investem cada vez mais na sua vocação social e atendem a mudança de comportamento dos consumidores", explicou.