VILA SÔNIA
Sete estudantes são atacados com spray de pimenta
Alunos estão matriculados na Escola 'Regina Modesto'; autora fugiu

Por José Ricardo Ferreira

Susto. Um grupo de alunos da Escola 'Regina Modesto' foi atingido pela substância

Crédito: Adriano Rizzo

Susto. Um grupo de alunos da Escola 'Regina Modesto' foi atingido pela substância

Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Sete estudantes de 12 anos de idade, cada, matriculados na Escola Estadual 'Marcia Regina Modesto de Paula da Rocha', localizada no bairro Vila Sônia, foram atacados com spray de pimenta por volta das 13 horas desta quinta-feira (13). Os alunos estavam na rua Corcovado, a dois quarteirões do estabelecimento de Ensino que fica à rua Nilo Peçanha. Conforme informações apuradas pela Gazeta com amigos dos alunos atingidos, e uma mãe, os estudantes estariam discutindo na rua quando um carro de cor preta passou. Uma mulher ao volante, ao ver o desentendimento, espirrou o gás de pimenta para o grupo se dispersar. Após o ato, ela saiu com veículo em disparada.
Os alunos estariam a caminho da Escola. Assustados e se sentindo mal, eles buscaram abrigo na Escola e em um Condomínio na mesma rua. A direção da Escola observou que as vítimas estavam com os olhos vermelhos e inchados e pediu ajuda ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e à Polícia Militar.
A Secretaria Municipal de Saúde informou, às 18 horas desta quinta-feira, que os sete estudantes foram socorridos na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) do bairro Vila Sônia. Dois deles se recuperaram rapidamente e foram liberados após o atendimento médico. As outras cinco vítimas ficariam em observação por seis horas.
Trata-se de um procedimento de praxe, conforme protocolo médico para ver se não teriam nenhuma reação extra em função do spray. No entanto, estavam bem. Um professor e familiares acompanharam os estudantes, ainda segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, todas as medidas foram tomadas para socorrer os alunos que não se localizavam no interior da Escola, no momento do ataque. A PM e o socorro do Samu foram acionados na sequência ao incidente. Ainda de acordo com a Pasta, a Secretaria de Segurança Pública foi notificada para apurar o ataque aos estudantes.
Polícia
Até as 19 horas desta quinta-feira, a PM não havia localizado a pessoa suspeita de borrifar a substância sobre os estudantes. "Foi feito um patrulhamento nas imediações, mas nenhum suspeito foi encontrado", informou em nota encaminhada pela corporação. "Os alunos não conseguiram passar nenhuma informação do veículo como placas e modelo".
Efeitos
O uso de spray por policiais é só para autodefesa ou submissão de indivíduos que resistam à intervenção policial, conforme apurou a reportagem. O spray contém capsaicina, componente ativo das pimentas. A ação é na pele e nos olhos. Nos olhos, o problema fica mais exposto. O gás causa vermelhidão e inchaço facial, lacrimejamento e possível cegueira por 30 minutos.
A exposição constante pode alterar a sensibilidade da córnea. No Brasil, é comum o uso pelas forças de segurança pública. O projeto de lei 161/19 regulamenta a comercialização de spray de pimenta como arma de defesa pessoal. Ele está em tramitação no Congresso.
Saiba mais
Nas mucosas do nariz e da boca, a duração e a intensidade dos efeitos do gás variam de acordo com a área afetada e o tempo de exposição. A ardência pode durar horas. Por fim, na respiração, dependendo da exposição, os brônquios se contraem, limitando a capacidade pulmonar.