APÓS 22 ANOS
Confirmado o fim do Passeio de Barcos
Organizador Lucas Moura afirmou que o evento já atingiu suas metas

Por José Ricardo Ferreira

Rio Piracicaba. Passeio de Barcos procurava despertar a consciência ecológica e a defesa do manancial

Crédito: Del Rodrigues

Rio Piracicaba. Passeio de Barcos procurava despertar a consciência ecológica e a defesa do manancial

Sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
O engenheiro Lucas Moura confirmou, nesta quinta-feira (16), que não realizará mais o tradicional Passeio de Barcos pelo Rio Piracicaba. Esse ano, chegaria à 23ª edição um evento que começou com seu pai, Benedito Augusto de Moura, falecido em 2014. Piracicabano, Lucas Moura mora há 10 anos em São Paulo (SP) e justificou que o Passeio, após mais de duas décadas, já atingiu “suas metas”, isto é, a defesa das águas do Piracicaba. Após a morte do pai, Lucas assumiu o evento que fazia parte do Calendário Turístico da cidade. Em 2018, disse ele, cerca de 400 embarcações participaram do Passeio. No ano passado, aproximadamente 200 barcos.
O Passeio acontecia no início de fevereiro e o ponto de encontro era a rampa da Rua do Porto na data ou próximo do dia de Nossa Senhora dos Navegantes, comemorado em 2 de fevereiro. A travessia seguia até Santa Maria da Serra (SP), percorrendo cerca de 90 quilômetros de Rio.
O evento também reunia show de dupla sertaneja e solenidade religiosa com a presença de centenas de pessoas que prestigiavam o Passeio. Antes do início da travessia, as embarcações e a imagem da Santa eram abençoadas. O Passeio sempre obteve apoios da Secretaria Municipal de Turismo, Polícia Militar, Marinha, empresários e comerciantes.
No ano passado, Lucas já havia sinalizado que não haveria mais o Passeio. Ele explicou que a travessia teve um crescimento do número de participantes. Por um lado isso foi muito bom em termos de visibilidade, por outro, poderia prejudicar o Rio pois um número grande de embarcações polui as águas com combustível, fumaça e aquecimento, segundo ele.
A proposta de seu pai, disse Lucas, era o de despertar a atenção às belezas naturais e aos problemas que afetam o manancial. “Procurei cumprir a missão ambiental dele nos últimos cinco anos após sua morte”. Para Lucas, o Passeio ajudou a aumentar a consciência ecológica.
“Muitos movimentos ambientais surgiram graças ao Passeio”. Ele disse que continua navegando pelo Piracicaba. “Tenho muitos amigos navegadores”, afirmou. Lucas agradeceu ao apoio que recebeu em todos os eventos que organizou. 
A secretária de Turismo, Rosângela Camolese e o prefeito Barjas Negri (PSDB) sempre elogiaram a iniciativa por ser uma atração turística, de lazer e de conscientização sobre o Meio Ambiente e a preservação dos Recursos Hídricos. Alguns navegadores de Piracicaba e Região estão preparando um encontro entre amigos para um passeio no Rio também em fevereiro.
Problemas
Embora Lucas tenha justificado o fim do evento devido a questões ecológicas, a reportagem também apurou que algumas embarcações participavam sem a devida documentação, driblando a fiscalização. Por exemplo, a falta do Arrais Amador para lanchas, barcos e veleiros. O documento permite conduzir embarcações de até 24 metros. Também teria havido casos de manobras arriscadas por alguns condutores de jet-ski e consumo exagerado de álcool.