SAÚDE PÚBLICA
Dieta mais saudável
Obesidade afeta de três a cada 10 crianças de cinco a nove anos de idade

Por Adriana Ferezim

Dados de obesidade infantil em Piracicaba se mantêm estáveis e desafio é reduzir incidência

Crédito: iStock

Dados de obesidade infantil em Piracicaba se mantêm estáveis e desafio é reduzir incidência

Segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
A obesidade infantil é uma preocupação da Saúde Pública e da Educação de Piracicaba. Dados de 2014 e de 2018 indicam que, nesse período, conforme amostragem entre as crianças até cinco anos e de cinco a nove anos de idade, a ocorrência de crianças obesas está estável. Em 2014, tinham obesidade infantil 3,4% das crianças pequenas e, em 2018, eram 3,5%. Entre as de cinco e nove anos, eram obesas 11,7% das crianças em 2014 e, no ano passado, o total ficou em 11%. Os dados são da Coordenadoria de Programas de alimentação e Nutrição (Cpan) da Secretaria Municipal de Saúde, que promove trabalho contínuo para reduzir os índices por meio de ações de conscientização.
No último sábado (30), equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) I e II do distrito de Ártemis participaram da 'Feira de Ciências' da Escola Municipal 'Décio Miglioranza', para orientar os pais dos alunos. “Apesar de a Escola estar em uma Zona Rural, os índices de obesidade infantil estão elevados”, disseram as Agentes de Saúde Eliane Bandeira Fernandes Santos e Meiri Olaia.
O consumo de alimentos processados e ultra processados é um dos motivos que eleva a quantidade de crianças com excesso de peso, conforme a auxiliar de enfermagem do PSF Ártemis II, Juliane Mestrechique. Na Exposição, elas levaram a quantidade de óleo e açúcar presentes nos alimentos industrializados, como bolachas recheadas, linguiça, enlatados e outros.
Elas também distribuíram um livro com receitas de 14 pratos, doces e salgados, preparados com alimentos naturais e saudáveis, como muffinhos, cookies de maçã e chocolate, bolinho de arroz integral, panqueca de linhaça, torta de pão integral e outros. Outro guia educativo distribuído na Escola foi o que ensina como ter uma alimentação adequada e saudável em 10 passos. Os dois livretos foram elaborados pelo Cpan, com referência no 'Guia Alimentar Para a População Brasileira', do Ministério da Saúde.
Panorama municipal
Para ter dimensão do problema da obesidade infantil na cidade, as crianças das escolas de Educação Infantil (creches) e de Ensino Fundamental de anos iniciais, 1º ao 5º ano, são avaliadas anualmente, conforme Márcia Juliana Cardoso, coordenadora do Cpan. Os dados permitem definir ações e parcerias para ampliar a conscientização sobre alimentação saudável e realizar a orientação por família, por meio do PSF.
Com os esforços, os dados se mostram estabilizados, mas o desafio é a redução dos índices. Em 2014, foram avaliadas 1998 crianças menores de cinco anos de idade. Apresentaram sobrepeso 8,2% delas e 3,4%, obesidade.
O resultado indicou que, entre as crianças que participaram da análise, 11,6% tinham excesso de peso. Nessa mesma faixa etária, em 2018, quando foram pesquisadas 1.772 crianças, foi apurado o mesmo índice de sobrepeso (8,2%), obesidade ficou em 3,5%. No total, 11,7% das avaliadas tinham excesso de peso.
Participaram da avaliação da Cpan, na faixa etária acima dos cinco anos, em 2014, 3.496 crianças. Entre elas, 18,7% apresentaram sobrepeso, 11,7% obesidade e 5,8% obesidade grave. No total, 36,2% tinham excesso de peso. No ano passado, foram avaliadas 2.139 crianças, sendo que 18,3% estavam com sobrepeso, 11% (obesidade) e 6% (obesidade grave). No total, em 2018, 35,3% das crianças avaliadas apresentaram excesso de peso.
Em novembro, o Ministério da Saúde deu início a uma Campanha de Conscientização e Prevenção Contra a Obesidade Infantil. Segundo dados do órgão, o problema afeta de três a cada 10 crianças de cinco a nove anos de idade atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as menores de cinco anos de idade, a obesidade ocorre em 15,9% das crianças com excesso de peso.
“Entre os jovens, 13% dos meninos e 10% das meninas sofrem com obesidade ou sobrepeso. O estudo ainda aponta que 89% das crianças e adolescentes acima do peso têm chances de serem adultos obesos”, informou o Ministério. Em todo o País, 50% dos adultos estão acima do peso ideal e 17% são obesos, por esse motivo, o Ministério recomenda mudança nos hábitos alimentares.
Programas da Saúde
A coordenadora do Cpan, Márcia Juliana Cardoso, ressaltou que são realizados, pela Secretaria Municipal de Saúde, Programas como o 'Piracicaba com Saúde: É Hora de Comer Melhor'.
“É uma ação desenvolvida no município de Piracicaba pela equipe da Cpan, com o objetivo de capacitar e qualificar profissionais da Área da Saúde e da Educação para a promoção da alimentação saudável e prevenção da obesidade infantil no município, através da intersetorialidade. É um Programa que atua nas 89 Escolas Municipais de Educação Infantil com a participação da Atenção Básica e envolve 52 Unidades Básicas de Saúde”, explicou.
Outra ação é o Programa 'Saúde na Escola', que contribui para a formação integral dos estudantes por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde. Busca enfrentar as vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens da Rede Pública de Ensino.
Faz parte desse Programa o 'Crescer Saudável'. Ele consiste em um conjunto de ações a serem implementadas no âmbito do Programa 'Saúde na Escola', com o objetivo de contribuir com a prevenção, controle e tratamento da obesidade infantil.
“As ações que compõem o Programa abrangem a vigilância nutricional, a promoção da alimentação adequada e saudável, o incentivo às práticas corporais e de atividade física, e ações voltadas para oferta de cuidados para as crianças que apresentam obesidade. Esta é uma agenda coordenada pelo SUS onde prevalece a articulação intersetorial, primordialmente com a Educação, em função da complexidade dos determinantes da obesidade e da influência dos ambientes no seu desenvolvimento”, explicou Márcia.
O Programa prevê quatro ações: avaliar o estado nutricional (peso e altura) das crianças menores de 10 anos; ofertar atividades coletivas de promoção da alimentação adequada e saudável para as crianças matriculadas na Educação Infantil e Ensino Fundamental I, nas escolas que participam do PSE; incentivar a promoção das práticas corporais e atividade física para as crianças matriculadas na Educação Infantil e Ensino Fundamental I - nas escolas que participam do PSE; atender as crianças identificadas com obesidade por meio de intervenção e cuidado na Rede de Atenção Primária à Saúde.
Na Área da Saúde é incentivada a amamentação, a promoção do aleitamento materno e alimentação saudável para crianças até dois anos de idade. Os profissionais da Saúde participam de Oficinas no SUS que fazem parte da Estratégia Nacional para a Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável.
Há, também, uma abordagem diferenciada no cuidado com a obesidade, com Oficinas de Educação Permanente para compreensão dos fatores emocional e psiconutricional. Participaram desta capacitação profissionais da Equipe de Saúde da Atenção Básica, profissionais da Rede de Atenção Psicossocial, alunos da graduação de Nutrição da Unimep.
Programa de Alimentação Escolar
A Secretaria Municipal de Educação realiza o Programa mais antigo do governo federal na Área de Educação, que é a Alimentação Escolar. Participam a Secretaria, o Conselho de Alimentação Escolar e nutricionista. 
A coordenadora do Cpan, Márcia Juliana Cardoso, ressaltou que os cardápios da Alimentação Escolar, da merenda, são planejados por nutricionista com utilização de gêneros alimentícios básicos (arroz, feijão, macarrão e carnes), com respeito às referências nutricionais e aos hábitos alimentares, pautando-se na alimentação saudável e adequada. 
Ela ressaltou, ainda, a Política dos Varejões Municipais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sema), que leva alimentos in natura de qualidade e com preços acessíveis a mais de 30 locais no município, inclusive bairros periféricos que, muitas vezes, não possuem muita oferta desses alimentos por perto.