DEFESA DAS MULHERES
'Vigília pela Vida' aconteceu com diversas ações
Estudantes participaram de atividade que conscientiza sobre violência

Por Da Redação

Reflexão e cobranças. Grupo debateu a violência contra a mulher e constatou falta de Políticas Públicas suficientes

Crédito: Gloria Cavaggioni

Reflexão e cobranças. Grupo debateu a violência contra a mulher e constatou falta de Políticas Públicas suficientes

Segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Alunos e professores do Instituto Federal realizaram, na semana passada, uma 'Vigília pela Vida das Mulheres' que sofreram e têm sofrido violência. Entre os inúmeros casos de feminicídio no Brasil, foi lembrada a morte brutal de Eliana de Jesus Silva Ribeiro, assassinada por seu companheiro em 18 de agosto deste ano, em Piracicaba. A Vigília foi fruto da parceria entre o curso de Pós-Graduação Educação em Direitos Humanos do IFSP, do Coletivo 'Marias de Luta, Promotoras Legais Populares de Piracicaba (PLP)', 'Coletivo Maria Bonita - IFSP Piracicaba' e a Procuradoria Especial da Mulher - representando a Rede de Atendimento à Mulher de Piracicaba.
O coordenador do curso de Pós-Graduação do IFSP e organizador da 'Vigília', o professor Adelino de Oliveira contou que quando começaram a pensar a atividade, procuraram sair do formato acadêmico. Apesar de ser realizada numa universidade, a ideia não era compor uma mesa para trazer e debater dados.
O objetivo foi evidenciar o combate à violência contra a mulher a partir de uma outra lógica cultural, que passa, inclusive, pela nossa sensibilidade. O professor salientou o horror da banalização do mal, da violência que ocorre ao nosso lado e parece nem nos afetar. A ação promoveu reflexão e discussão sobre uma questão ainda negligenciada na cidade, apesar de nela haver casos cotidianos de violência contra a mulher.
A advogada e ex-vereadora Rai de Almeida ressaltou que a violência contra a mulher está aumentando sobremaneira no País. “No Brasil, que está entre os cinco países com maior índice de violência contra mulheres, as meninas já nascem fadadas a terem a vida marcada pelo desrespeito. Em nosso país, meninas em tenra idade são vítimas de maus-tratos e estupro”, informou.
Refletir, se posicionar e ocupar os espaços para que se tenha voz nas decisões é o que a vereadora Nancy Thame colocou como postura importante na luta pela vida das mulheres. Para ela a violência contra a mulher é algo estrutural, histórico, cultural. “A gente vence com momentos como esse em que temos aprendizado e força conjunta, mas é preciso que a gente ocupe espaços de poder e decisão”, reiterou Nancy.
Discutido o atendimento às mulheres em situação de violência, evidenciou-se que Piracicaba não conta com Políticas Públicas suficientes para o bem-estar e a segurança da mulher. Não há no município sequer um canal de denúncia rápido e eficiente.
Destacou-se que a estrutura da Delegacia da Mulher ainda é precária, ela não funciona à noite ou nos finais de semana que é justamente quando ocorre grande parte dos casos. A mulher, então é obrigada a procurar uma Delegacia Comum. A mobilização veio ainda no sentido de se pressionar o serviço público. Em Piracicaba, apesar da violência contra mulher ser cotidiana, não há nem sequer dados organizados sobre ela.
As piracicabanas, assim como outras mulheres, muitas vezes nem reconhecem o sofrimento por que passam como agressão. Vivem situações corriqueiras que nem identificam como violência. A opressão pelo controle, o sentimento de posse são extremamente naturalizados, contou a advogada Daniela Negri.
Odahra Fernandes, professora de Geografia e aluna do curso de Pós-Graduação Educação em Direitos Humanos - IFSP afirmou: “ É importante trazer esse assunto à discussão e não deixar em baixo dos panos, como normalmente se faz”. A violência contra a mulher ainda não recebe a atenção necessária. Para Odahra o tema é pouco discutido nas faculdades ligadas à Tecnologia.