O GRANDE AMOR
'Família Acolhedora' abre inscrições nesta quarta
Entre as condicionantes, é não estar na lista de pretendentes à adoção

Por José Ricardo Ferreira

Amor ao próximo. Carla, o casal acolhedor Sônia e César, e a secretária Eliete Nunes, estiveram nesta terça-feira (10), na Gazeta

Crédito: Christiano Diehl Neto

Amor ao próximo. Carla, o casal acolhedor Sônia e César, e a secretária Eliete Nunes, estiveram nesta terça-feira (10), na Gazeta

Quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Tiveram início, nesta quarta-feira (11), as inscrições de novos núcleos para compor o quadro de parceiros do Programa 'Família Acolhedora'. As participações poderão ser confirmadas até o dia 5 de outubro, na sede do Serviço de Acolhimento, localizada à rua Coronel João Mendes Pereira de Almeida, 200, bairro Nova América. O telefone para contato é: (19) 3422-0621 e o e-mail é: familiaacolhedora@piracicaba.sp.gov.br.
Para ser uma 'Família Acolhedora', é necessário ser maior de 25 anos de idade, ter uma diferença mínima de 16 anos do acolhido, morar em Piracicaba, sem perspectiva de mudança nos próximos três anos; ser idôneo e com boas saúdes física e mental.
Não deve possuir, entre os seus, pessoa com problemas psiquiátricos ou com dependência de álcool e outras drogas; possuir disponibilidade para participação sistemática do processo de capacitação e seleção, além de outras eventuais atividades no serviço e ter a anuência de todos os membros da família, condição esta que deve ser manifestada à equipe durante o processo de seleção.
Além dos requisitos listados, a família deve ter disposições afetiva e emocional para acolher uma criança sem o intuito de adotá-la, já que, entre as condicionantes para ser uma família acolhedora, é não estar na lista de pretendentes para a adoção. Após o período de inscrição e seleção, será feita uma capacitação das famílias, com temas relacionados ao acolhimento.
Conforme explicou Carla Gonçalves Marques, coordenadora do Programa, a capacitação é uma preparação para o exercício da função. "A capacitação tem o objetivo de promover espaço para o autoconhecimento, a troca de experiências e de conhecimento, fundamentais na preparação dessas famílias para o exercício dessa função", frisou.
Entre os possíveis conteúdos, estão a explicação das Políticas Públicas relacionadas; o que é o Suas (Sistema Único de Assistência Social), o que é um acolhimento, é uma medida protetiva, o que é o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), entre outros temas afins.
O 'Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora' é uma ação pública da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) com a finalidade de proporcionar acolhimento familiar a crianças e adolescentes que necessitem ser afastados de sua família de origem em decorrência de medida de proteção por determinação judicial. Atualmente, o Serviço conta com 19 famílias acolhedoras cadastradas. Doze delas estão com crianças ou adolescentes acolhidos.
Durante todo período de acolhimento, tanto a família acolhedora quanto a família de origem são acompanhadas por uma equipe técnica especializada, para orientação e apoio psicossocial. Também são acompanhadas, atualmente, três crianças. Os menores de idade estão na fase de desacolhimento e retornaram ou para a família de origem ou para família extensa (avós, tios, etc.).
Seis anos
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Eliete Nunes, disse, nesta terça-feira (10), que o 'Família Acolhedora' completará seis anos no dia 12 de outubro. A titular da Pasta está muito satisfeita com os resultados. Isso em decorrência de que fora o primeiro modelo implantado por sua equipe, com o objetivo de "desestitucionalizar" as crianças e adolescentes.
"A gente tem tido um "feedback" muito positivo das famílias que acolhem. É um trabalho voluntário muito importante em que a família tem essa disponibilidade afetiva de amar uma criança ou adolescente abrindo as portas de sua casa para acolhê-los. Isso significa que essa criança terá o seu desenvolvimento pleno e a garantia de um direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, que é o de convivência familiar e comunitária", explicou.
O casal César e Sônia já está com a quarta criança no Programa, nos últimos três anos. Eles já têm uma filha de 22 anos de idade e uma de 19 anos de idade. Sônia contou que se sensibilizou vendo uma família acolhedora e quis participar da iniciativa com o marido.
"A ação é fazer algo para alguém. Não temos tempo para ser voluntários fora de casa", disse Sônia. César, que tem uma oficina de Retífica de Motores, disse que é um prazer compartilhar o amor de sua família com uma criança. Ele até brincou e salientou que quando chega um menino, curte muito, pois têm duas filhas.
A secretária enfatizou que as famílias "protegem, acolhem e educam as crianças". Ela lembrou que qualquer modelo de família pode participar do acolhimento "E até uma só pessoa", disse. "Esse modelo é a melhor forma de voluntariado em minha opinião na cidade porque muda a vida de uma criança ou adolescente".
O foco, disse ela, é se possível, encaminhar crianças de zero a três anos de idade, mas as famílias podem ficar à vontade na escolha se responderem aos requisitos.
Ao todo, Piracicaba tem 40 vagas no 'Abrigo Institucional' e mais seis emergenciais para crianças e adolescentes. Tem ainda 80 vagas no 'Casa Lar' e 15 da 'Família Acolhedora'. "O foco é que as crianças não precisem desses programas, mas se precisarem é melhor que elas recebam esses serviços", afirmou a secretária.