MINISTRO DO TCU
Fachin vota por receber denúncia, tornar réu e afastar
Após voto do relator, sessão foi suspensa e será retomada dia 27

Por Agência BrasiI

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, votou por receber denúncia apresentada em 2018 pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, e seu filho, o advogado Tiago Cedraz, pelo crime de tráfico de influência. No mesmo voto, Fachin, que é relator do caso, se posicionou a favor do pedido da PGR para afastar o ministro do cargo.
Após o voto de Fachin, a sessão foi suspensa e deverá ser retomada na terça-feira (27). Faltam os votos dos ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e da presidente do Colegiado, ministra Cármen Lúcia.
A Turma começou a julgar a denúncia na qual a PGR acusa Aroldo Cedraz, seu filho e mais dois investigados de receberem vantagens da empreiteira UTC para influenciar o julgamento de processos referentes à construção da Usina Nuclear de Angra 3 que estavam em andamento no TCU.
Segundo o empresário Ricardo Pessoa, um dos delatores da Operação 'Lava Jato', recursos teriam sido entregues no Escritório de Advocacia de Tiago Cedraz. Além disso, segundo a PGR, o ministro do TCU estaria impedido de julgar o caso pelo fato de seu filho atuar na causa, mas teria pedido vista e solicitado adiamento de processos envolvendo a empreiteira no Tribunal, em 2012.
Único a votar na sessão, Fachin entendeu que a denúncia apresentou requisitos mínimos para abertura de um ação penal e tornar os acusados réus no processo. Segundo o relator, há indícios de suposto tráfico de influência por parte de pai e filho. "A peça inicial atende os efeitos da justa causa presentes na denúncia, porquanto narra a hipotética prática pelos denunciados da suposta conduta de tráfico de influência", disse Fachin. 
A defesa de Aroldo e Tiago Cedraz afirmou, durante o julgamento, que as acusações da PGR foram baseadas apenas na denúncia de delatores. Segundo o advogado José Eduardo Cardozo, as acusações foram ilações feitas pela Procuradoria, sem a indicação de provas.