OS DESAFIOS
Frio e desemprego
Migrantes contam experiência de dormir nas ruas; temperatura aumenta

Por José Ricardo Ferreira

Alojamento. Migrantes buscam onde dormir e alimentação no Albergue da cidade: frio maltrata pessoas nas ruas

Crédito: Adriano Rizzo

Alojamento. Migrantes buscam onde dormir e alimentação no Albergue da cidade: frio maltrata pessoas nas ruas

Quinta-feira, 11 de julho de 2019
O encarregado de Obras, Agripino Saraiva Moraes, de 58 anos de idade, está a 2.577 quilômetros da cidade onde mora, Teresina, Capital do distante Estado do Piauí, na Região Nordeste. À procura de emprego, ele enfrenta a falta de ocupação e de dinheiro, além do frio. “Estou sem nenhum tostão na carteira. Saí há dois meses de Teresina. Não dá para dormir na rua com esse frio”, disse ele, que aguardava, na última segunda-feira (8), uma vaga no Albergue Noturno, destinado a pernoites de migrantes.
Ele contou que ficou um período na casa de familiares, em São Paulo (SP). “É uma vida difícil. Nunca passei por isso. Aceito qualquer emprego. Deixei minha família e preciso ajudar meu filho a pagar a faculdade”, contou. O Inverno, por menos rigoroso que seja, é mais intenso nas ruas. O vento deixa a sensação térmica ainda mais fria.
O vendedor Clayton Luiz Cordeiro, 39 anos de idade, sentiu literalmente na pele o que é dormir nas ruas no último domingo (7). Assim como Agripino, ele também procurou vaga no Albergue da cidade. No domingo, porém, quando chegou ao abrigo, as portas já estavam fechadas. “Já eram mais de 22 horas e precisei dormir na rua. Perdi a hora da entrada. Fui até a praça central (José Bonifácio). Lá, encontrei mais umas cinco pessoas e dormimos entre os brinquedos da praça. Eu ‘batia os dentes’ de tanto frio”, contou.
Clayton disse que o frio aumenta de madrugada. “As horas parecem não passar. O sol demora a nascer”, descreveu. Morador em São Paulo (SP), foi em busca de uma ocupação no Guarujá (SP) e em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Ele chegou a Piracicaba no último dia 1º e, desde então, dorme no Albergue. Por sorte, conseguiu uma vaga em uma empresa de Montagem de Estruturas. “Mas ainda não tenho dinheiro para alugar um quarto”, lamentou.
O sul-matogrossense, Eduardo Brito dos Santos, 39 anos de idade, disse que tem experiências como coletor de lixo e ajudante de obras. “Estou precisando urgente de emprego para alugar um cômodo. Não quero mais dormir na rua com esse frio e tenho medo de violência”, disse. “É complicado. Uma noite me roubaram todos os documentos. Precisei refazer todos”, contou.
Anésio Aparecido, 61 anos de idade, dormiu, no sábado passado, na praça José Bonifácio. Na segunda-feira, já estava a caminho da Rodoviária para tentar a sorte em Campinas m(SP). Desconfiado com a reportagem, disse que não gostava de falar da vida e não queria fotos.
“Sou de Feijó, conhece? Tô sem ‘trampo’ há meses. Ajudo em obras. Cansei de dormir na rua com frio e sem comida quente”, desabafou, concluindo com um palavrão. Piracicaba também tem a Casa de Passagem para moradores em situação de rua. Está localizada à rua Frei Vital de Primeiro, 234, bairro Jardim Califórnia. O Albergue fica no bairro Alto, precisamente à rua Prudente de Moraes, 1900.
Temperaturas
Aos poucos, o Inverno, enquanto não chega outra massa polar, vai ficando menos intenso. No fim de semana passado, a cidade registrou temperaturas entre 2ºC e 5ºC. Netas quarta-feira, a máxima foi de 25ºC e a mínima, de 10ºC, em Piracicaba, segundo dados do Instituto Climatempo, registrada às 6 horas.
Nesta quinta-feira (11), a temperatura sobe sensivelmente para 26ºC (máxima) e 11ºC (mínima); nesta sexta-feira (27ºC e 11ºC), sábado (28ºC e 12ºC) e domingo (28ºC e 14ºC). Não há previsão de chuvas.