MOVIMENTO NACIONAL
Contra o corte
Ato público ocorreu simultaneamente a protestos espalhados pelo Brasil

Por Marcelo Rocha

Protesto teve concentração em frente à Catedral, na praça José Bonifácio

Crédito: Christiano Diehl Neto

Protesto teve concentração em frente à Catedral, na praça José Bonifácio

Quinta-feira, 16 de maio de 2019
Protestos contra o corte de verbas no setor da Educação, anunciado pelo governo federal, levaram centenas de manifestantes à praça José Bonifácio, na manhã desta quarta-feira (15). Estudantes e professores de Instituições Públicas e privadas, Movimentos Sociais, militantes de partidos políticos e sindicalistas participaram do ato público que ocorreu simultaneamente a protestos espalhados pelo Brasil. Por volta das 11 horas desta quarta-feira, os organizadores do ato em Piracicaba calcularam a presença de cerca de dois mil manifestantes na praça da Catedral. Já a Polícia Militar, estimou um número de "um pouco mais de 500 pessoas".
Uma hora antes, estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e integrantes do Movimento 'Levante Popular da Juventude', reuniram-se em frente ao Mercado Municipal e iniciaram uma passeata pela rua Governador Pedro de Toledo rumo à praça José Bonifácio, o epicentro do protesto. No percurso, gritaram palavras de ordem contra o "desmonte da Educação", chamando a atenção de comerciantes e da população. 
A caminho da praça, onde se uniram a estudantes secundaristas, membros de Sindicatos e outras lideranças, os manifestantes entoaram rimas contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL), que após cinco meses encara o seu primeiro grande protesto popular, e versos como "a nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria" e "um, dois, três, quatro, cinco mil, revoga esse corte ou paramos o Brasil", fazendo menção à redução de 30% de recursos destinados às chamadas despesas discricionárias - referentes ao pagamento de conta de energia elétrica, água, telefone, contratação de Serviços Terceirizados e outros custos de Instituições Federais.
A medida polêmica faz parte da Política de Contingenciamento de verbas do Ministério da Educação (MEC). "Esse governo faz cortes de 30% e diz que a pesquisa não é importante, sendo que ciência e a tecnologia são o que fazem o futuro de um País", afirmou Carlos Virgílio Borges, o Chileno, presidente do Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro), entidade que representa docentes de escolas particulares.
O dirigente sindical citou a dificuldade de mobilizar as escolas da rede privada. "Aqui em Piracicaba, não tivemos nenhuma escola particular parada. Tivemos professores de escolas particulares que, individualmente, pararam e aderiram ao ato. Mas os estudantes precisam saber o que está acontecendo no Brasil".
De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o protesto "contou com a adesão de alunos e professores de mais e 71% das escolas estaduais" instaladas em Piracicaba. A cidade possui 68 escolas estaduais. O estudante Caíque Jorge Brito, 16 anos de idade, aluno da Etec 'Deputado Ary de Camargo Pedroso', no bairro Paulista, que estava na praça em companhia de colegas de classe, se disse "preocupado com o futuro da Educação no País".
"Na minha escola, existe uma boa estrutura, não tenho do que reclamar, mas a gente precisa lutar por professores mais qualificados e um Ensino de melhor qualidade no restante do Brasil", afirmou o jovem. O líder estudantil, Gabriel Colombo, 29 anos de idade, destacou que as manifestações nacionais ocorrem num "momento de ataques á Educação". Segundo ele, o anúncio do corte de verbas veio acompanhado de "uma ofensiva político-ideológica contra as universidades".
"O ministro da Educação (Abraham Weintraub) disse que fazemos balbúrdia, enquanto estamos estudando e trabalhando em pesquisas que contribuem para o desenvolvimento do País. No caso dos pós-graduandos, temos Bolsas (de Estudo) desvalorizadas em aproximadamente 40%, pois estamos sem reajuste desde 2013", observou Colombo, agrônomo formado pela Esalq que é diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
"E, nas redes sociais, já circulam diversas notícias falsas sobre o que ocorre na universidade. É o método da 'fake news' sendo utilizado novamente na disputa política", acrescentou.
No embalo da Educação
Reforma da Previdência entrou na pauta
As Frentes Sindicais aproveitaram os protestos nacionais para embutir o seu descontentamento em relação à Reforma da Previdência Social. "A Educação já vem sendo sucateada há muito tempo e, agora, ao invés de investimentos, o governo Bolsonaro anuncia cortes. E para piorar a Reforma na Previdência retira os direitos que nós adquirimos lá atrás, da aposentadoria especial, e iguala a aposentadoria para homens e mulheres em 60 anos. Assim, as mulheres da nossa categoria são as mais prejudicadas, porque elas representam mais de 80% da classe dos professores", observou Leonor Peres, diretora da Apeoesp, em Piracicaba.
A proposta da Reforma amplia, de 25 para 30 anos, o tempo mínimo de contribuição às professoras e aos professores, e institui a idade mínima de 60 anos para ambos. "Esta Reforma da Previdência vai atingir muitos professores, e mais ainda as professoras. Para nós, a Reforma, de uma maneira geral, não entende o que é o país. Por isso também estamos aqui nesse grande ato", afirmou o presidente do Sinpro, Chileno.