DEFENDE A EDUCAÇÃO
Weintraub nega os cortes em universidades
Segundo ele, investimentos voltarão após aprovação da Previdência

Por Agência BrasiI

O ministro da Educação, Abraham Weintraub

Crédito: .Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Educação, Abraham Weintraub

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, negou que tenha havido cortes na verba das Universidades Federais. Segundo ele, o que houve foi um contingenciamento. “Não houve corte, não há corte. Há um contingenciamento. Se a Economia tiver um crescimento com a aprovação da nova Previdência, e eu acredito nisso, isso vai retomar a Economia. Retomando a dinâmica, aumenta a arrecadação e descontigencia”, garantiu, ao ser questionado na Comissão e Educação do Senado sobre o anúncio feito na semana passada de bloqueio de 30% da verba de Instituições Federais de Ensino Superior.
Weintraub se disse surpreso com a repercussão da decisão e defendeu o contingenciamento que, segundo ele, é sobre “uma parte pequena do volume total de despesas”, que atinge apenas a parte discricionária das Universidades Federais: “A folha de pagamento e o refeitório estão integralmente preservados”. Ele disse ainda que as 65 Universidades Federais custam, em média, R$ 1 bilhão por ano.
O ministro disse que pretende dar mais autonomia às universidades, mas que isso não pode ser confundido com apoio ao que chamou de “soberania” dessas Instituições. Nesse sentido, ele criticou o uso de drogas dentro de universidades públicas e defendeu a entrada da Polícia nos campi universitários para combater o consumo de substâncias ilícitas.
“A autonomia universitária não é soberania”, disse. “Se tem coisa acontecendo dentro, por que a Polícia não pode entrar (nas universidades)? Não tem que ter consumo de drogas, está errado. Sou contra isso”, afirmou.
Ao falar sobre os desafios do MEC, Weintraub enfatizou que a Educação Básica será a prioridade da pasta. “A gente aqui no Brasil quis pular etapas, colocou dinheiro demais no teto e esqueceu a base”, disse. As diretrizes apontadas no âmbito do Plano Nacional de Educação (PNE) incluem alfabetização, investimentos no Ensino Médio e valorização do Ensino técnico.
Weintraub defendeu, ainda, que o governo descentralize as tomadas de decisão da área. “Os heróis da alfabetização estão lá na ponta, nas cidades”, disse, ao ressaltar que os alfabetizadores precisam voltar a ser respeitados.
Humanas X Exatas
Weintraub também falou sobre a decisão de reduzir investimentos na área de humanas e priorizar as disciplinas de Exatas e Biológicas, como Engenharia e Medicina. Segundo ele, a decisão está baseada em números e critérios técnicos. 
Weintraub disse que apenas 13% da produção na área de Ciências Sociais Aplicadas, Humanas e Linguística têm impacto científico.
Ainda assim, segundo ele, a maioria das bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) são de estudantes da área de Humanas. "Gente que é paga para estudar", disse acrescentando que, na maioria dos casos, esse investimento não traz retorno efetivo ao País.
O ministro se colocou à disposição para debater o tema "de peito aberto" com o Congresso e disse que o MEC não quer impor nada a ninguém: "o diálogo tem que ser feito com base em números, dados e premissas racionais. (Espero) que a gente se livre um pouco dos preconceitos”.
Fies
Sobre o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) o ministro voltou a dizer que o dinheiro investido pelos governos anteriores serviu para inflar os cursos de graduação nas Instituições Privadas. Na avaliação de Weintraub, o Programa fez com que os alunos criassem dívidas e ficassem sem emprego. “É uma tragédia o Financiamento Estudantil. São 500 mil jovens começando a vida com o nome sujo“, criticou.