Emílio Moretti
Design e alimentação infantil

Por Emílio Moretti

Emílio Moretti

Crédito: Del Rodrigues

Emílio Moretti

O que vemos atualmente é uma moldura de criança num corpo de idoso.
Design sedutor
Embalagens cada vez mais coloridas, com ou fotos de heróis, mascotes, bichinhos, artistas, atletas,etc . Nos fast-food, deliverys, shoppings, etc., predominam alimentos ricos em gorduras, massas, açúcar e sal, e são ofertados em porções cada vez maiores, como promoções. As pessoas acabam comendo mais e pior. As crianças querem voltar com frequência a esses lugares, pois esperam ganhar novos brindes.
A infância era outra
Se você parar e relembrar a sua infância provavelmente, vai lembrar de ter jogado futebol, vôlei, brincar de boneca, jogar bolinha de gude, taco, bets, amarelinha, caçador, pega-pega e um monte de outras brincadeiras legais que você já teve o privilégio de brincar.
Atrair atenção dos baixinhos era algo muito mais difícil. Esse comportamento demandava um esforço muito maior de uma marca em relação ao público infantil, daí a necessidade das várias ações que traziam de brinde brinquedos e outros objetos colecionáveis.
As empresas utilizavam os espaços entre os desenhos que passavam na televisão para divulgar seus produtos e serviços. Mas isso só não bastava, era necessário que esses produtos estivessem ligados aos personagens favoritos da criançada, que também foi uma bela sacada da galera do Marketing.
Crianças conectadas
Atualmente, as brincadeiras na rua ou no quintal deram lugar aos jogos eletrônicos, às redes sociais, aos desenhos animados disponíveis 24 horas por dia em diversos sites da internet ou em canais de TV a cabo. Obesidade infantil atinge mais de 40 milhões de crianças no mundo
Onde tudo começa?
A ascensão vertiginosa da obesidade no mundo vem do último pós-guerra mundial (2ª guerra), em que as economias dos principais países ricos estavam em baixa e precisavam reerguer-se. É sabido que durante as guerras, muitas descobertas, muitos avanços tecnológicos acontecem. Nesse ambiente, as multinacionais de produtos alimentícios espalharam o leite em pó enlatado pelo mundo.
O leite em pó enlatado
A propaganda convencia a maioria, com grandes fotos de lindos bebês e de mães emagrecidas e com seios flácidos, que o leite enlatado, além de cômodo, era melhor para ambos: mãe e filho. Ter leite em pó em casa era sinal de poder. Até mesmo em famílias que só podiam comprar, por exemplo, uma lata por semana e tendo duas ou mais crianças.
Isso desestimulou muito o aleitamento materno e, até hoje, seus índices não voltaram ao ideal, embora tenham melhorado nos últimos anos, no Brasil, pelas campanhas das sociedades de Pediatria em todos os níveis de alcance, e mesmo sendo hoje estabelecido que a amamentação ao seio é um protetor contra a obesidade.
A partir desse ponto é fácil entender como quase todos os produtos alimentícios passaram a ser enlatados; embalados em vidros, caixas de papelão, de plásticos, de papel metalizado entre outros e de todos os tipos e tamanhos: alimentos em pó; triturados finos e grossos; in natura, temperados, pré-cozidos, congelados.
Bom exemplo de Florianópolis
Em Florianópolis, uma lei municipal proíbe lanchonetes de venderem lanche com brinquedo. É a primeira cidade do País proibir essa venda casada. Atualmente, uma lei em vigor em Florianópolis (8.985/12) proíbe redes de fast-food de comercializarem produtos que acompanhem brindes voltados ao público infantil. É a primeira cidade do País a contar com a proibição.
Obesidade infantil aumenta
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve aumento contínuo e substancial do percentual de crianças e adolescentes com excesso de peso e obesas nos últimos anos, atingindo mais de 30% do público entre cinco e nove anos de idade e cerca de 20% de crianças e jovens entre 10 e 19 anos de idade.
Diante dessas estatísticas, especialistas apontam que o vilão seriam as peças publicitárias que se valem do licenciamento de personagens ou mascotes e da venda casada para estimular o consumismo nesse público. Cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes sofrem de problemas de obesidade, e oito em cada 10 adolescentes continuam obesos na fase adulta.
Os três tipos de produtos alimentícios
- Minimamente processados: são alimentos que passaram por um processo de moagem, limpeza, desidratação ou pasteurização. Isso modifica sua forma, mas não modifica a composição original, que permanece a mesma, tal como na natureza. São exemplos o arroz e feijão (que são limpos) as farinhas (que são moídas) ou o leite (que é pasteurizado) e as frutas secas (que são desidratadas).
- Processados: são aqueles que recebem um aditivo para durarem mais ou para se tornarem mais saborosos. Exemplo: os produtos em conserva como palmito, cenoura, ervilha, azeitona… e tantos outros que ficam em latas ou vidros, submersos numa solução salgada para durarem mais tempo.
- Ultra processados: em geral são "fórmulas" produzidas pela indústria. Não contem o alimento em sua forma natural. São formulados com muitos aditivos, conservantes e aromatizantes para dar gosto, cheiro e aparência atraente. São exemplos o macarrão instantâneo, salsichas, pizzas, hambúrgueres, balas, chocolates, refrigerantes, biscoitos. O papel dos pais: é importante os pais darem o melhor exemplo. 
Mãe transforma as refeições do filho em personagens de desenho animado
A iraniana Laleh Mohmedi encontrou uma maneira muito criativa e divertida de incluir vegetais nas refeições do seu filho Jacob: criou em 2015 o projeto batizado de Jacobs Food Diaries (em português, Diário das Comidas de Jacob).
Laleh recria os personagens dos filmes e desenhos animados usando os ingredientes. Segunda a mãe, as refeições demoram entre 20 e 35 minutos a preparar, cabendo a Jacob decidir qual é o desenho animado que pretende ver no seu prato a cada dia.