PAIS PREOCUPADOS
A segurança nas escolas da cidade
Gazeta ouviu responsáveis por estudantes de Piracicaba

Por Adriana Ferezim

A recente tragédia em Suzano, que resultou em dez mortos, despertou em Piracicaba a atenção dos pais

Crédito: Del Rodrigues

A recente tragédia em Suzano, que resultou em dez mortos, despertou em Piracicaba a atenção dos pais

Sexta-feira, 15 de março de 2019
Esta quinta-feira (14) foi dia de pais debatendo a segurança das escolas onde seus filhos estudam, em Piracicaba, e provavelmente em todo o País. Seja pessoalmente, nos grupos das redes sociais ou por telefone. O aumento da preocupação foi motivado pelo massacre na escola de Suzano (Grande São Paulo), que deixou 10 mortos, entre eles, cinco estudantes. A Gazeta falou com alguns pais.
Eles discutiram, principalmente, a permanência dos portões das escolas abertos. Em Suzano, os dois assassinos, ex-alunos da Unidade - entraram com facilidade na 'Raul Brasil', na hora do intervalo da manhã, porque o portão estava aberto e não havia outro bloqueio para o acesso à parte interna da Escola, como ocorre na maioria das 59 Unidades de Ensino Estadual de Piracicaba.
A Gazeta apurou que, as Unidades da cidade já vêm providenciando reformas para inibir a entrada de estranhos no ambiente escolar. Parte delas conta, ainda, com sistema de segurança por câmeras. As reformas foram realizadas, nos últimos anos, e as câmeras instaladas com recursos da própria escola ou da Associação de Pais e Mestres (APM).
Mesmo as que estão em prédios históricos, como a 'Sud Mennucci' e a 'Morais Barros', conseguiram deixar a Sala da Secretaria na parte externa. Ou seja, o atendimento de quem entra pelo portão é feito por uma janela e uma porta bloqueia o acesso à área interna da escola. O mesmo ocorre em outras Unidades verificadas pela Gazeta, nesta quinta-feira.
Um grupo de mães do distrito de Ártemis informou que estava incomodado com o portão sempre aberto da Escola Estadual. Elas também se mostraram preocupadas com a permanência de jovens na entrada da Escola e também no bar, que fica em frente ao portão de entrada da Unidade.
"Com o começo das aulas, vi que alguns desses jovens queriam entrar na Escola para beber água, usar o banheiro. O que não pode. A porta interna ficava só encostada. Falamos com a escola nos primeiros dias de aula. Agora, vi que a porta interna está fechada e há um esforço dos funcionários de sempre ficar alguém na entrada recebendo as crianças pequenas", disse uma mãe de aluno.
Em outro bairro, uma mãe contou que seu filho vai e volta de van escolar, e ela não sabe se o portão da unidade onde ele estuda, na região do bairro Dois Córregos, permanece aberto ou não. "Fui à escola na rematrícula e na reunião. O portão estava aberto, mas era uma recepção para os pais. No dia a dia, não sei como fica e meu filho não soube dizer também. Espero que fique sempre fechado", comentou.
Na Escola do distrito de Santana e de Santa Olímpia, pais contaram que o portão geralmente está fechado e ele tem câmera e interfone. "Hoje (nesta quinta-feira), vi uma viatura da Ronda Escolar em frente à Escola. Não lembro quando esse patrulhamento esteve aqui no período de entrada e saída dos alunos. Faz um bom tempo. Os policiais devem ter vindo pelo que ocorreu em Suzano", comentou o pai de uma aluna.
Faltam funcionários
Os pais ouvidos pela Gazeta relataram ainda que as escolas estão sem funcionários de organização escolar, que poderiam ajudar na segurança dos alunos. O governo do Estado fez concurso público para a função, mas ainda não convocou os aprovados para iniciar o trabalho.
Pais são a favor dos uniformes
O uso do uniforme (camiseta escolar) não é obrigatório e por isso não é fornecido pelo Estado. Mesmo assim, diversas mães disseram que fazem questão de comprar para a segurança dos filhos. "É uma forma importante de identificação do aluno dentro e fora da escola. Até comprei para minha filha que que ainda está na creche”, comentou outra mãe.