TRAGÉDIA NO FLAMENGO
Comoção na despedida a Rykelmo, em Limeira
O Instituto Médico Legal (IML) teve dificuldades para indetificá-lo

Por Renato Piovesan

As bandeiras do Independente de Limeira, onde começou a carreira, e do Flamengo, onde estava desde 2015, cobriram o caixão de Rikelmo

Crédito: Denny Cesare/Estadão Conteúdo

As bandeiras do Independente de Limeira, onde começou a carreira, e do Flamengo, onde estava desde 2015, cobriram o caixão de Rikelmo

Terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Com um misto de tristeza e inconformismo, parentes e amigos se despediram de Rykelmo de Souza Viana, jovem de Limeira (SP), que morreu no incêndio no Ninho do Urubu, o Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira. O velório e o sepultamento do garoto de 16 anos de idade, que teve o corpo carbonizado, ocorreram na manhã desta segunda-feira (11), no Cemitério Parque, em Limeira.
A cerimônia foi acompanhada por pessoas com camisetas com o nome do atleta e também do Independente de Limeira, um dos primeiros times defendidos pelo garoto nas categorias de base.
O enterro estava previsto para as 10 horas, mas foi adiado para o meio-dia, para que familiares e conhecidos de outras cidades pudessem chegar a tempo. Mãe de Rykelmo, Rosana de Sousa, chegou a dizer que foi angustiante ter de viajar às pressas ao Rio logo que soube da notícia, para reconhecer o corpo de seu filho.
Rykelmo iniciou sua carreira no futebol na Escolinha do Clube Atlético Paulistano, de Limeira, quando tinha seis anos de idade. Depois, ele jogou na categoria sub-11 do Independente, time da cidade que disputa competições oficiais da Federação Paulista de Futebol (FPF).
Antes de completar 13 anos de idade, o limeirense foi descoberto por um olheiro do Flamengo, que o levou ao Rio, onde passou a vestir a camisa rubro-negra e viver no Ninho do Urubu de 2015 para cá.
O corpo de Rykelmo foi um dos últimos a ser enterrados. Isso porque o Instituto Médico Legal (IML) teve dificuldades para identificá-lo por meio da análise de imagens de sua arcada dentária — ele foi um dos mais atingidos pelo fogo — e só confirmou sua identidade na noite de sábado.
Além de Rykelmo, também foram sepultados ontem os corpos de Jorge Eduardo Santos, em Além Paraíba (MG); Athila Paixão, em Lagarto (SE), Gedson dos Santos, em Itararé (SP) e Samuel Thomas de Sousa Rosa, em São João do Meriti (RJ). Ao todo, a tragédia no Ninho do Urubu deixou 10 mortos.
Responsabilidades
Em reunião realizada na tarde desta segunda-feira, na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, afirmou que o “Flamengo assumiu todas as suas responsabilidades” diante da tragédia e se comprometeu a indenizar “o mais rápido possível”.
O acordo será costurado junto à Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, o que não significa que dirigentes do clube não possam ser responsabilizados criminalmente pelo incêndio. Nesta terça-feira (12), o Ninho do Urubu deverá passar por vistoria e poderá ser interditado.
O defensor público geral do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Pacheco, explicou que a indenização não será apenas financeira. "Haverá, também, acompanhamentos psicológico, social e de saúde", explicou. "O Clube de Regatas do Flamengo se comprometeu a compor uma câmara de conciliação, junto com a Defensoria Pública, o MPE-RJ e o do Trabalho a fim de que não só os atletas sobreviventes, mas os familiares principalmente tenham uma justa e rápida indenização". (Com Agência Estado)
Um dos sobreviventes recebe alta
Um dos três sobreviventes do incêndio que matou 10 pessoas no CT do Flamengo na última sexta-feira, Cauan Emanuel deixou o hospital particular na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde estava internado, no final da tarde desta segunda-feira. Ele saiu por uma entrada lateral do hospital sem ser visto pela imprensa.
O empresário do atleta, Wanderley Nogueira, disse que Cauan dormiria num hotel disponibilizado pelo Flamengo. Ele deverá ir para a casa dos pais, em Fortaleza (CE). Nogueira disse também que policiais chegaram a pegar o depoimento do jovem, no hospital. A investigação está sendo conduzida pela 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio, Zona Oeste do Rio.
Outro jogador da base do Flamengo que está internado na mesma instituição, Francisco Dyogo, segundo o Flamengo, "segue em curva de melhora, mas continua com demandas ventilatórias de oxigênio e ainda precisa de suporte com cateter nasal", informou o clube, que acrescentou que, "por conta disso permanece internado no CTI". (Estadão Conteúdo)