DIRETORIA E CONSELHO
Fundada a Associação de Amigos do Jardim Botânico
Meta é tirar do papel definitivamente o projeto ambiental

Por Da Redação

Primeira assembleia para a constituição da Associação de Amigos do Jardim Botânico de Piracicaba

Crédito: Divulgação

Primeira assembleia para a constituição da Associação de Amigos do Jardim Botânico de Piracicaba

Terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Um importante passo foi dado nessa primeira semana de fevereiro para transformar em realidade um sonho de muitos piracicabanos: a criação de um Jardim Botânico na cidade. Nas dependências da Propark Paisagismo e Ambiente, realizou-se a primeira assembleia geral para a constituição da Associação de Amigos do Jardim Botânico de Piracicaba.
Durante a reunião, elegeu-se a Diretoria e o Conselho Deliberativo, cujos membros resolveram encampar o desafio de tirar do papel definitivamente esse projeto, que colocará Piracicaba na vanguarda dos municípios que se preocupam em conservar o rico Patrimônio Vegetal Nacional, desenvolvendo atividades de Pesquisa, Educação e Lazer de forma sustentável.
Segundo o empresário, Urbano Ribeiral Junior, entusiasta da ideia, eleito por unanimidade como diretor-executivo da nova Associação, a proposta é conservar a Biodiversidade da Flora Regional, especialmente das formações de Floresta Estacional Semidecidual, conhecida como a Mata Atlântica do Interior, que constituem a vegetação característica da região.
A ideia da instalação de uma Instituição do gênero na cidade é antiga. Há trinta anos, a Prefeitura, durante a gestão de Adilson Maluf, resolveu destinar área para essa finalidade, à margem do rio Piracicaba, vizinha ao antigo Engenho Central.
Naquela ocasião, foi reformada uma antiga edificação, utilizada no passado como depósito de materiais, para funcionar como Centro de Visitantes. Iniciou-se, também, o processo de adequação do bosque e lago existentes para receber as coleções de plantas.
Nas gestões municipais posteriores, porém, o projeto foi abandonado. O antigo prédio, ocupado durante algum tempo pelo Pelotão Ambiental da região, encontra-se atualmente desativado. O bosque ainda é usado de forma esporádica, para servir de sombra aos veículos estacionados durante os eventos realizados no Engenho Central.
Em 2014, a iniciativa da instalação de um Jardim Botânico foi retomada pela Associação dos Moradores do Bairro Santa Rita na Região Leste da cidade. A intenção era recuperar uma área florestada no entorno de um lago, já utilizada para lazer pela população. Um estudo preliminar foi levado a conhecimento da Prefeitura, que apoiou o trabalho.
Com a filiação, no entanto, da Associação dos Moradores do Bairro Santa Rita à Rede Brasileira de Jardins Botânicos, o projeto tomou outra dimensão.
Um estudo foi elaborado por aquela Instituição, incorporando o Viveiro Municipal, que funciona no local, e todas as atividades típicas desse tipo de Unidade de Conservação, já realizadas no local. O novo plano foi apresentado à atual Administração Municipal, que imediatamente destacou alguns funcionários para a execução dos trabalhos necessários à sua viabilização.
Com o tempo, o projeto inicial tornou-se ainda mais ambicioso, totalizando 866 mil metros quadrados de área. Além da área de preservação e lazer do bairro Santa Rita, passou a englobar mais duas Unidades: a gleba vizinha ao Engenho Central, tombada pelo Patrimônio Histórico e a do Parque Natural Municipal de Santa Teresinha, conhecido como Parque da Cidade (Decreto 10.845/2004), situado na confluência dos rios Piracicaba e Corumbataí, onde já foram plantadas mais de 40 mil árvores nativas por empresa instalada no município, a título de compensação ambiental.
O Decreto nº 17.377, de 26-1-2018, assinado pelo Prefeito Barjas Negri, oficializou a criação da instituição, vinculada à Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema) e foi o ponto de partida para que a Comissão Interdisciplinar desse início às atividades. A partir de agora, a estratégia dos fundadores é atender o mais rápido possível às condicionantes da Resolução Conama número 339 (25-9-2003), do Ministério do Meio Ambiente.
Para tanto, na primeira etapa, selecionou-se uma área de 15 mil metros quadrados, na Unidade Santa Rita, onde se concentrarão os investimentos iniciais necessários.
As obras incluirão o cercamento do terreno, a instalação de uma estrutura mínima de recepção e vigilância e a criação de um Centro de Visitantes para o desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental. O Viveiro existente receberá as adaptações necessárias para a realização de pesquisas científicas e a formação das coleções especiais de plantas.
Apoio importante
Nesse trabalho, a Associação dos Amigos do Jardim Botânico contará com o importante apoio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq/USP, por intermédio do professor-doutor, Vinicius Castro Souza, do Departamento de Ciências Biológicas.
Além de fornecer o embasamento científico, ele possibilitará o acesso ao herbário, do qual é curador - um dos mais antigos e completos do País - para fornecer os subsídios à seleção das plantas componentes do acervo, muitas delas ameaçadas pela ação antrópica.
"Existem muitas espécies da Floresta Estacional semi-decidual, quase desconhecidas e com grande potencial paisagístico, que pretendemos propagar e estudar com maior profundidade para salvá-las da extinção", explicou o docente.
Com o objetivo de estimular o engajamento da comunidade piracicabana na iniciativa, será lançado, brevemente, o concurso para escolha da espécie símbolo do Jardim Botânico. As candidatas são: pau-marfim (Balfourodendron riedelianum), tamboril (Enterolobium contortisiliquum), jequitibá-rosa (Cariniana legalis), caviúna (Machaerium scleroxylon), e peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron), todas nativas da região.
Para o professor-doutor, José Flávio Leão, que plantou a primeira semente do Jardim Botânico de Piracicaba há 30 anos, e que participa com entusiasmo da retomada do projeto, como membro da diretoria e do Conselho Deliberativo, o mais importante agora é começar a plantar. Sua ideia é iniciar imediatamente o planejamento das atividades de seleção, propagação e cultivo das espécies vegetais durante o atual ano agrícola, aproveitando as épocas mais propícias à realização de cada operação.