O RISCO
Alimentos: Verão favorece proliferação de bactérias
No calor, a atenção tem de ser redobrada na preparação dos alimentos

Por Marcelo Rocha

Calor é o período propício para o surgimento de infecções provocadas por alimentos

Crédito: iStock

Calor é o período propício para o surgimento de infecções provocadas por alimentos

Sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
O Réveillon na praia foi maravilhoso. E na volta, para não desperdiçar a “comidaiada” da ceia e ajudar o orçamento da família, a zelosa mãe trouxe o rescaldo daquela deliciosa carne temperada para ser consumida em casa. A filha comeu e saboreou novamente, mas horas depois estava num pronto-socorro à espera de atendimento médico. Diagnóstico: contaminação alimentar. Durante o Verão, os alimentos se deterioram com mais rapidez e se tornam fontes de proliferação de bactérias, vírus e outros parasitas que podem causar infecções diversas.
O médico gastroenterologista, Francisco Leal de Castro Lima, da Santa Casa de Piracicaba, explicou que “durante o Verão, as altas temperaturas favorecem não o surgimento, mas a proliferação de bactérias, vírus e parasitas veiculados por alimentos. Isso ocorre porque todos esses micro-organismos têm uma preferência por temperaturas elevadas para se reproduzirem, contou Lima.
Dentre as complicações provocadas por germes e parasitas em alimentos, estão as salmoneloses (causadas pela bactéria Salmonella, com sintomas como diarreia, febre, vômito e dores abdominais), as infecções por Escherichia coli (geradoras de problemas intestinais e urinários), as infecções por coliformes fecais, as infecções por Bacillus cereus, as rotaviroses e noroviroses, todas listadas pelo Ministério da Saúde, lembrou o gastroenterologista.
A nutricionista Angélica Oliveira salientou que “práticas inadequadas na hora da preparação de uma refeição” potencializam a multiplicação de micro-organismos desencadeadores de contaminações alimentares. “E no calor, a atenção tem que ser redobrada em relação ao armazenamento e temperatura dos alimentos, para evitar a proliferação de bactérias”, observou.
Outros cuidados indispensáveis, disse Angélica, são a higiene de quem vai manipular os alimentos, dos utensílios e o local de preparo, que deve ser esterilizado previamente.
“Quando se prepara comida em casa, normalmente as pessoas costumam cuidar dessas etapas. Mas quando estamos, por exemplo, na praia, onde passamos boa parte dos horários das refeições, não sabemos como a matéria-prima foi recebida, armazenada e muito menos preparada. Então, fuja de alimentos expostos ao calor como algodão-doce, churros e espetos de camarão já prontos. Mesmo porque, o vendedor que recebe o dinheiro e não usa luvas no preparo de alimentos trará grandes riscos à sua saúde. Por precaução, é bom manter um álcool gel na bolsa”, aconselhou.
Ação rápida no corpo
O gastroenterologista, Francisco Leal de Castro Lima, ressaltou que o período de incubação de doenças infecciosas causadas por alimentos é geralmente curto, podendo levar de um a dois dias. “Mas algumas infecções podem levar até uma semana para manifestarem os primeiros sintomas”, destacou o médico.
“Em caso de suspeita de contaminação ou contaminação confirmada, deve-se identificar e retirar o alimento suspeito ou contaminado imediatamente dos locais de produção e distribuição, para interromper a cadeia de contaminação, não tomar medicamentos sem orientação médica e procurar os serviços de urgência/emergência mais próximos para tratamento adequado”, orientou.
Atendimentos não identificados
O poder público e os hospitais reconhecem a dificuldade de identificar e mapear com clareza os casos de pacientes com infecções alimentares, por isso não há estatísticas oficiais. A Secretaria Municipal da Saúde informou que quando uma pessoa dá entrada em uma das Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade, com gastroenterites (inflamações dos órgãos digestivos) por contaminações alimentares, o atendimento é rápido e feito, normalmente, por um clínico geral.
Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Santa Casa de Piracicaba informou que os casos isolados de contaminação alimentar não são contabilizados, mas que casos “envolvendo mais de uma pessoa de num mesmo local (escola, empresa, casas) são comunicados à Vigilância Sanitária de Piracicaba”. 
A Unimed Piracicaba também comunicou que não há dados estatísticos sobre o número de pessoas que deram entrada com problemas alimentares no hospítal da Cooperativa Médica.
Saiba mais
Dicas para evitar contaminações
Lavar as mãos com sabão antes do preparo de alimentos
Selecionar alimentos frescos com boa aparência
Checar utensílios e higienizá-los antes do uso
Manter os alimentos sob armazenamento e refrigeração adequados
Não deixar preparações expostas ao ar livre
Desinfectar hortaliças, legumes e verduras; deixá-las imersas por 15 minutos em água sanitária (um colher de sopa de água sanitária para cada litro de água)
Beber água, sucos e consumir gelo apenas de procedência confiável e conhecida
Evitar alimentos que contenham ovos crus.
Fontes: Angélica Oliveira (nutricionista) e Francisco Leal de Castro Lima (gastroenterologista)