AS CHAMADAS MINORIAS
Estudantes trazem relatos de 52 trabalhadores
Eles acompanharam cada pessoa em 10 encontros

Por Marcelo Rocha

Aluno do curso de Administração da Esalq apresenta trabalho sobre a relação mercado de trabalho e inclusão

Crédito: Del Rodrigues

Aluno do curso de Administração da Esalq apresenta trabalho sobre a relação mercado de trabalho e inclusão

Quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Não são as pessoas com diferentes tipos de deficiência e das chamadas minorias que têm que se adaptar ao mercado, é o mercado que precisa se adaptar a essa grande população de trabalhadores. A afirmação é da professora Heliani Berlato, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que coordena um levantamento desenvolvido por 52 alunos - do 1º ano do curso de Administração da Instituição - sobre o tema: 'Diversidade e o Mercado de Trabalho'.
Nesta quarta-feira (5), esses estudantes participaram de uma aula na qual apresentaram trabalhos individuais sobre a questão. A pedido da docente, os estudantes dessa turma da Esalq acompanharam e colheram depoimentos de 52 trabalhadores, norteados pelo conceito da diversidade e da inclusão.
"Eles acompanharam cada trabalhador em 10 encontros, nos seus ambientes de trabalho. Foram ouvidas pessoas com deficiência auditiva, visual, com nanismo, cadeirantes, homossexuais, bissexuais, negros, mulheres analfabetas e outras pessoas que, normalmente, têm sua inclusão no mercado profissional dificultada. Eu queria que os alunos trouxessem e relatassem um pouco dessas vivências", afirmou Heliani.
De acordo com a professora, o trabalho foi uma das atividades da disciplina Comportamento Organizacional. "Como é um assunto muito técnico, eu queria que os alunos conhecessem o tema na prática. Só ler o livro sobre comportamento organizacional não promove a mudança que a gente precisa promover na cabeça desses profissionais. Precisamos trabalhar questões mais subjetivas", analisou.
Os graduandos precisam conhecer e vivenciar as questões com as quais eles se defrontarão nas empresas, salienta Heliani. "E, hoje, a questão da diversidade está muito presente. Ela virou moda e espero que continue. Parece que está distante, mas não está, e quando você entra numa empresa percebe isso", afirmou.
As pesquisas estudantis atestaram o que já se sabe: que as minorias enfrentam várias formas de preconceito - físico, cultural, de gênero, de raça e outros tantos. "O preconceito apareceu em todos os trabalhos. E a maioria das pessoas que sofrem esse tipo de preconceito não quer que as pessoas sintam pena delas, querem apenas igualdade de oportunidades e de tratamento", disse Heliani.
"E entre as mulheres ainda foram relatados casos de assédio moral e sexual", acrescentou. Quando o assunto é diversidade versus mercado de trabalho, o Brasil ainda tem um bom caminho a percorrer, avalia a professora da Esalq.
"Não estamos alinhados em relação aos países desenvolvidos, mas já estamos evoluindo. Já temos muitas empresas que estão abertas a essas discussões. Precisamos que o país tenha Políticas Públicas para levar essas minorias para o mercado de trabalho de forma legítima, e não como caridade", comentou Heliani.
A docente ressaltou que, por hora, as empresas que absorvem as denominadas minorias são as de grande porte e/ou multinacionais estrangeiras. Infelizmente, hoje em dia, o nosso mercado ainda não possui um olhar individualizado para essas pessoas. E ao padronizar, a gente ignora esse olhar mais específico e, principalmente, humano", observou a docente.