MANTER O CLUBE VIVO
Missão é salvar o XV
Presidente do clube prevê uma fase sem grandes expectativas

Por José Ricardo Ferreira

O XV disputou a A-2 e ficou perto do acesso: clube promete se reerguer

Crédito: Del Rodrigues

O XV disputou a A-2 e ficou perto do acesso: clube promete se reerguer

Quinta-feira, 17 de maio de 2018
Com o orçamento mais do que limitado para disputar a Copa Paulista a partir de agosto, o presidente do XV de Piracicaba, Celso Christofoletti, deixou bem claro nesta semana em que anunciou o fim do “caso Paulinho”, que seu foco é evitar o pior para o clube e, que, levantar algum título, nesse momento, ficou em segundo plano. O campeão da Copinha ganhará vaga na Série D em 2019.
“(Nesses) anos que sou presidente o meu maior objetivo não é fazer o XV ficar campeão, não. Meu objetivo principal é manter o XV vivo. Me desculpe a torcida, eu também fui da torcida. Ser campeão? Ser campeão é não deixar o XV cair para a Série A-3. Estou com a consciência tranquila porque mantenho o XV vivo na A-2”, afirmou.
Sua declaração tem tudo a ver com o risco que o clube corria caso não quitasse a dívida com Ludogorets, da Bulgária. Caso o time não pagasse, seria automaticamente rebaixado para a Série A-3 de 2019. “Lógico que teremos dificuldades na Copa Paulista. Vamos precisar ainda mais da torcida para manter o XV vivo”, reforçou o dirigente.
Condenado pela entidade máxima do futebol, a Fifa, o XV pagou cerca de R$ 386 mil ao clube europeu. Mais ao longo de seis anos, teve gastos de cerca de R$ 607 mil com custas advocatícias, impostos e taxas na tentativa de reverter a situação. Para pagar o clube, precisou tomar dinheiro emprestado de pessoas físicas e jurídicas da cidade.
Em 2012, o então atacante do XV, Paulinho, se transferiu para o Ludogorets. Alegando falta de adaptação, retornou antes do prazo previsto para o término do seu vínculo. Então, o clube entrou com uma ação na Fifa tentando um ressarcimento. Nesse tempo, foram contratados advogados especializados no direito desportivo internacional. A Fifa deu o veredicto final em abril desse ano, sem mais chances de o XV recorrer.
Celso, porém, lembra que o clube tem crédito. Ele contou que a Federação Paulista de Futebol só liberou R$ 130 mil adiantados de cota para ajudar o XV a pagar a dívida porque o clube mantém suas contas em ordem.
“Balanços e prestação de contas vão para a Federação. Estão no nosso site. Não temos queixas trabalhistas na nossa gestão. É obrigação nossa pagar e é o que fizemos. É um reconhecimento que facilitou a Federação antecipar o dinheiro. Temos o Prêmio Excelência da FPF 2017 em administração”, lembrou.
Dívida cresceu nos últimos anos
O “caso Paulinho” teve como ingrediente o grande mal de qualquer relação financeira que envolve dívidas: os juros. “A dívida é corrigida em 5% ao ano, por isso ela cresceu e chegou aos 90 mil euros. Outro problema no momento do pagamento é a questão tributária. O XV teve que fazer o recolhimento de 18% além do valor devido, como Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras, que é o IOF”, explicou o advogado do clube, Ramon Bisson, falando, esta semana, sobre os valores que envolveram o pagamento ao Ludogorets da Bulgária.
“Reunimos várias pessoas, empresários que nos ajudaram. Agora temos que continuar atrás de recursos para pagar esses empréstimos. Sempre honramos nossos compromissos e nossa preocupação, além de pagar essas pessoas, neste instante, é começar a traçar o orçamento para a próxima Copa Paulista e a Série A-2”,disse o presidente Celso Christofoletti.