VÍDEOS NAS REDES SOCIAIS
Clima tenso na Câmara de Vereadores de Piracicaba
As principais discussões da reunião foram a votação de um requerimento

Por Adriana Ferezim

Plenário da Câmara de Vereadores de Piracicaba

Crédito: Antonio Trivelin

Plenário da Câmara de Vereadores de Piracicaba

Quinta-feira, 17 de maio de 2018
Desde a reunião realizada na última segunda-feira (14), na Câmara de Vereadores, o ambiente está tenso no Parlamento. Nas redes sociais, a circulação de vídeos de parte dos trabalhos no Legislativo motivou a população a comentar sobre os fatos ocorridos e a questionar se ocorreram ameaças e falta de ética. As principais discussões da reunião foram a votação de um requerimento apresentado pelo vereador Laércio Trevisan Júnior (PR) e a discussão, desse requerimento, feita pelo vereador José Aparecido Longatto (PSDB).
O requerimento questionava o prefeito Barjas Negri (PSDB) sobre os subsídios pagos ao servidor Miromar Rosa, que estariam em desacordo, pois ele teria recebido da Câmara e da Prefeitura ao mesmo tempo. O caso foi motivo de sindicância no Legislativo e o resultado foi encaminhado ao Ministério Público, que abriu inquérito civil.
O servidor fez a devolução dos valores que teria recebido a mais um ano após o recebimento, quando a denúncia foi revelada, em fevereiro e março deste ano. O líder do governo, José Aparecido Longatto (PSDB) usou a tribuna e seu discurso foi entendido por muitos como ameaça.
"Eu não ameacei ninguém, nunca fui disso e já estou no meu oitavo mandato. Eu dei um exemplo, porque o vereador Laércio Trevisan Júnior costuma fazer acusações, muitas sem provas. Eu disse que isso que ele faz, de acusar e não ter prova, gera uma sangria que não para e essa prática, em política, leva a morrer politicamente. Aí eu dei o exemplo de Dom Corleone. Temos muitos requerimentos de questionamento feitos ao prefeito e quando vêm as respostas, elas não são divulgadas. Então fica para a população só o questionamento. É preciso divulgar a resposta", disse.
Em trecho do discurso de Longatto, que está circulando nas redes sociais, ele diz: "Senhor presidente, os desfechos de alguns casos aqui nesta casa vai (sic) desatar uma sangria que não para mais. É um caminho obscuro, um caminho aonde muita gente pode se machucar. Como disse aqui o nobre vereador, esquema que havia nessa casa. Não fui eu que disse, ele disse aqui, nessa tribuna, agora: esquema. E nesse esquema, então, nós vamos também começar a dizer o que acontece aqui dentro desse esquema. Vamos ver nomeação de assessores e outras coisas mais. Agora, quem sabe. Dom Corleone falava assim: se ninguém se meter comigo, eu não tenho motivo nenhum para me meter com ele. Agora, se alguém se meter comigo, agora, sim, eu tenho motivo de sobra para me meter com ele. Então, senhor Laércio Trevisan, como eu disse aqui e vou repetir, essa sangria é bom parar por aqui, porque, senão, alguém vai sangrar até morrer. E política não tem retorno".
Para Trevisan Júnior, a fala de Longatto pode ter sido uma ameaça generalizada a ele e a qualquer um que quiser investigar e fiscalizar o Executivo e também a própria Câmara. "Eu já tinha encaminhado denúncia ao Ministério Público sobre o pagamento irregular e o afastamento do servidor. Reuni o vídeo com o resultado da votação em que meu requerimento foi rejeitado por 17 votos contrários e recebeu dois favoráveis, e acrescentei nesse processo, que deverá ser apurado pelo MP", afirmou.
Nesta quarta-feira (16), o presidente da Câmara, Matheus Erler (PTB), que fez duas publicações sobre o caso do servidor em sua página pessoal no Facebook, declarou, em nota, que "estará reunido pela manhã (nesta quinta-feira) para tratar sobre o assunto com sua Assessoria Técnica e analisar as informações que reuniu durante o dia de hoje (nesta quarta-feira)". Sobre as postagens na rede social, a nota informa que "as declarações são de foro pessoal".