MEIO AMBIENTE
Ação em defesa do rio Piracicaba
Foram recolhidos cerca de 350 quilos de entulhos e lixos

Por José Ricardo Ferreira

O Dia do Rio Piracicaba foi marcado por meio de atividades educativas

Crédito: Antonio Trivelin

O Dia do Rio Piracicaba foi marcado por meio de atividades educativas

Segunda-feira, 16 de abril de 2018
O 24º Arrastão Ecológico no Rio Piracicaba aconteceu na manhã do último sábado (14), e registrou queda acentuada do volume recolhido. Seis barcos participaram do Arrastão e saíram da rampa da Rua do Porto até a rampa do bairro Nova Piracicaba. Foram recolhidos cerca de 350 quilos de entulhos e lixos durante duas horas, segundo o vice-presidente da Associação dos Pescadores Esportistas do Rio Piracicaba e Afluentes (Aperp), Edson Leme.
No ano passado, de acordo com o ambientalista, José Carlos Masson, foi uma tonelada recolhida. É comum encontrar todo tipo de descartes. Desde pneus, capacetes e muito plástico, como os de garrafas pet, jogados nas margens do rio. Vale lembrar que, neste domingo (15), foi celebrado o Dia do Rio Piracicaba.
Foi mais um ato simbólico e de conscientização do que propriamente uma coleta volumosa de lixo, segundo os próprios organizadores. A solenidade, no Largo dos Pescadores, teve música, atividades educativas e Exposição de Fotos. O Arrastão é uma realização da Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema) e da Oscip 'Pira 21 – Piracicaba Realizando O Futuro' e conta, anualmente, com o apoio da Aperp.
Já a Campanha 'Rio Vivo' tem o objetivo de orientar a população e estimular as relações sustentáveis com a água, ribeirões e rios da Bacia Hidrográfica do Piracicaba. Há três anos, está proibida a coleta de lixos às margens do rio devido ao risco de se contrair a febre maculosa, que é transmitida pelo carrapato-estrela, hospedeiro em capivaras e bois.
Então, andar pelas margens passa a ser um risco para a saúde das pessoas. Desta forma, a participação do público tem caído nos últimos anos. O importante, apontaram os organizadores, é que o evento é uma ação que deve continuar com o intuito de estimular novas gerações a observar o rio Piracicaba como um patrimônio a ser preservado.
Masson disse que com o passar dos anos o rio foi ficando mais limpo graças às ações públicas e a conscientização da sociedade. Ele participa, desde 1994, quando José Luiz Guidotti (1941-2007) criou o Arrastão. “Nos primeiros Arrastões eram até cinco toneladas em dois dias de trabalho”.
O médico Rogério Bacchi é membro da Aperp e participa desde 2008 do Arrastão. A Associação faz coletas por conta própria sendo que recentemente recolheu cerca de 700 quilos de resíduos sólidos e lixo. “Fazemos três, quatro arrastões por ano. Com o baixo nível rio, a sujeira aparece mais”, disse.
O empresário, Libório Jonas Goldschmidt, participa desde a primeira edição do Arrastão. Ele se recorda que no início, os donos dos ranchos às margens do rio criticavam o evento, mas com o tempo foram observando a importância da preservação do Meio Ambiente. Da geração mais jovem, o casal de namorados Guilherme Torrezan e Ligia Broglio, participou pela primeira vez.
Eles usaram dois caiaques para recolher o lixo das margens. Estiveram, ainda, presentes no início do evento, o prefeito Barjas Negri (PSDB), o secretário da Sedema, José Otávio Menten, o vereador Pedro Kawai (PSDB) e representantes da 'Pira 21', Projeto Guri, Núcleo de Educação Ambiental, EEP/Cotip, Casa do Amor Fraterno, escoteiros, Instituto MRV, entre outras entidades. Thiago Petrobon e Celso Petrobon, membros do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, também prestigiaram o evento.
Tratamento
O prefeito Barjas salientou os avanços no tratamento de esgoto e da água de Piracicaba, que já chega a índices de 99,97 (água) e 99,95 (esgoto), em uma escala de 100, segundo Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, que avaliou 231 municípios brasileiros. Menten lembrou da qualidade do Saneamento Básico da cidade e se surpreendeu que ainda algumas pessoas joguem lixo no rio.
Ele frisou, ainda, que Piracicaba transforma a cada ano o lixo em produtos úteis, fazendo de um problema, uma solução. Segundo ele, são transformados em produtos 70% do lixo coletado e isso graças também ao trabalho seletivo do Cata-Cacareco, Cooperativa e dos Eco-Portos.