Nancy Thame
Horto Medicinal

Por Nancy Thame

Nancy Thame

Crédito: Christiano Diehl Neto

Nancy Thame

O decreto federal nº 5813 (22/06/2006) aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) e cria o Grupo de Trabalho Interministerial com a participação da sociedade civil, para elaboração do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos - Portaria Ministerial (DOU de 2 de outubro de 2006).
As diretrizes são: "Regulamentar o cultivo e o manejo sustentável, a produção, a distribuição e o uso de plantas medicinais e fitoterápicos, considerando as experiências da sociedade civil nas suas diferentes formas de organização; apoiar a implantação de plataformas tecnológicas piloto para o desenvolvimento integrado de cultivo de plantas medicinais e produção de fitoterápicos, promover a adoção de boas práticas de cultivo e manipulação de plantas medicinais e de manipulação de produção e fitoterápicos, segundo legislação específica e estabelecer mecanismos de incentivo para a inserção das cadeias e dos arranjos produtivos de fitoterápicos no processo de fortalecimento da Indústria Farmacêutica Nacional".
Em Piracicaba, na rede pública municipal, a implantação de um Horto Medicinal nasceu de um sonho antigo da enfermeira responsável pelo Centro de Referência de Atenção Básica (CRAB/Cecap), Marina Denardi Azevedo. A ideia foi arraigar o projeto piloto na própria unidade e, após experiência positiva, estender a outras unidades do município.
Marina, que tem pós graduação em Fitoterapia e Plantas Medicinais, sentiu, na convivência com a população de Piracicaba, a necessidade de buscar algo a mais para complementar os tratamentos oferecidos pelo SUS à população de todas as faixas etárias, garantindo assim, melhor qualidade de vida a todos.
A engenheira agrônoma, Maria Helena Elias Valentini, voluntária do projeto, afirma que o trabalho será importante e útil na ação complementar ao tratamento medicamentoso dos pacientes e contribuirá com a melhoria na cura e no alívio de doenças, por meio do uso de diversas espécies das plantas medicinais e dos vários tipos de vegetação, como: sementes, folhas, flores, casca e raízes que serão cultivadas ali.
As atividades manuais relacionadas ao manejo de plantas medicinais colaboram na melhoria dos sentidos, da mente, da capacidades cognitiva, física e psicológica, além de propiciar a inserção social, aliviar o estresse e agregar saberes.
O projeto do Horto no CRAB/Cecap tornou-se amplo e tem explorado muitas competências, composto por grupo de trabalho com professores e estagiários da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), arquiteta, engenheiras agrônomas e engenheira civil, Poderes Executivo e Legislativo, voluntários e coletivos da sociedade civil, além do efetivo apoio da Secretaria Municipal de Saúde.
O engajamento do professor de Departamento de Ciências Biológicas - LCB da Esalq/Usp, Lindolpho Capellari Junior, especialista em Botânica Sistemática, especialmente Plantas Medicinais e Aromáticas, foi determinante para a elaboração do projeto, onde foram definidas espécies dentro de um projeto arquitetônico, bem como o conhecimento difundido em palestra para a população do bairro.
Segundo Capellari, um horto como este além de trazer benefícios à saúde da população local, estimula o senso de coletividade e trabalho em equipe, podendo até vir a gerar renda extra para as famílias que optarem pela produção de mudas. Para que tudo dê certo o primeiro passo é a identificação botânica correta para que não se utilizem espécies erradas.
A cooperação envolveu diversos atores sociais como, por exemplo, as responsáveis pela divulgação e apoio para a implantação do projeto, através de lideranças e do grupo de "Mulheres que fazem a Diferença".
A implantação do Horto Medicinal no CRAB/Cecap, motivou o trabalho multiprofissional, plantando em cada funcionário da unidade o desejo de trabalhar em equipe, mostrou que cada um a sua maneira, pode contribuir para a construção de uma convivência harmoniosa.