GOLPE DESARTICULADO
Operação da Polícia Civil prende três estelionatários
Investigadores descobriram que cada um fazia uma parte do 'trabalho'

Por Ana Cristina Andrade

Tudo foi apreendido pelos policiais

Crédito: Polícia Civil/Divulgação

Tudo foi apreendido pelos policiais

Segunda-feira, 16 de abril de 2018
Três homens foram presos na última sexta-feira (13), acusados de estelionato e falsidade de documento público, durante Operação realizada pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre). Entre os documentos falsificados, confeccionados pelo trio, estavam Carteiras Nacionais de Habilitações (CNHs), Certificados de Licenciamentos e Registros de Veículos (CRLVs), e diplomas de nível superior.
Os investigadores descobriram que cada um deles fazia uma parte do "trabalho". Um era responsável por trazer documentos em branco de São Paulo, mas também falsificava. O segundo e o terceiro apenas falsificavam.
A Dise chegou aos falsários após denúncia dando conta sobre uma onda de golpes aplicados em estabelecimentos comerciais. Os golpistas compravam produtos com documento falso e, em um dos casos, foi identificada uma mulher. O dono de uma loja de móveis foi lesado em R$ 25 mil.
“Esclarecemos e, a partir daí, passamos a investigar a raiz do problema. De nada adianta pegar um aqui e outro lá. O certo é pegar quem fornece esses documentos e foi o que fizemos", disse um investigador. Identificados os três, ontem cedo, apoiados por policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), GOE (Grupo de Operações Especiais), e Canil da Polícia Militar, os homens da Dise foram cumprir os mandados.
Na primeira casa que entraram, localizada no bairro Pauliceia, prenderam dois dos envolvidos. Enquanto os policiais apreendiam material ilícito, tocou o celular de um deles e era de uma Imobiliária, dizendo ao “Noel” que o contrato de locação já estava pronto. O “Noel”, na verdade, era um dos golpistas que alugava uma casa com nome falso. A direção da Imobiliária foi comunicada imediatamente de que se tratava de golpe.
No local, os policiais apreenderam o documento com a foto de um dos presos. Com eles, foram apreendidos uma impressora, folhas de holerites em branco e diplomas. “Teve um cara que, em meia hora, virou tecnólogo formado pela Universidade de Santos (SP). Foi com diploma que encomendou para eles”, destacou o investigador.
O terceiro
Em seguida, os policiais foram para o bairro Santa Cecília, onde prenderam o terceiro golpista, flagrando-o na frente do computador montando documentos falsos. Na casa dele, havia uma enorme quantidade de espelhos de RGs, inclusive dos Estados do Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, todos prontos para serem montados, bem como os demais documentos.
Havia, de acordo com os policiais, até modelos de etiqueta de autenticação de Cartórios, além de comprovantes de residência e de renda.
"Especialistas"
O delegado Demetrios Gondim Coelho, que chefia a DIG e a Dise, disse que o trabalho do trio era de profissional e, pela quantidade de documentos em branco apreendida, percebeu-se que a demanda era grande. “Eles disseram que cobravam R$ 200,00 por qualquer documento falsificado. Inclusive, apreendemos inúmeras fotos 3x4 que usavam para os documentos falsos. Vamos investigar se são, ou não, de pessoas que perderam seus documentos ou foram furtados e até mesmo roubados”, declarou Coelho.
Os policiais também descobriram, entre as fotos, algumas de pessoas conhecidas nos meios policiais, procuradas pela Justiça. Porém, somente o RG verdadeiro revelaria a real identidade deles. Os acusados foram autuados em flagrante e recolhidos ao cárcere.
Denúncias
A Dise e a DIG recebem denúncias de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 18 horas, pelo telefone (19) 3433-2997. Para denunciar à noite, finais de semana ou feriados, a população deve ligar para o 197 da Polícia Civil ou para o 181 (Disque Denúncia da ONG 'São Paulo Contra a Violência').