O ESTELIONATO
Polícia alerta sobre golpe do empréstimo
Em 15 dias, cinco pessoas registraram queixa, em Piracicaba

Por Ana Cristina Andrade

Polícia orienta a população a saldar dívidas junto a órgãos de proteção ao crédito

Crédito: Antonio Trivelin

Polícia orienta a população a saldar dívidas junto a órgãos de proteção ao crédito

Segunda-feira, 16 de abril de 2018
Quando alguém entra em um site de buscas, na internet, e digita a frase “crédito para negativado”, encontra inúmeras empresas que liberam empréstimos financeiros e ainda prometem ‘limpar’ o nome da pessoa. Tem quem se dá bem, mas há também aqueles que caem num golpe do ‘conto do vigário’. Foi o que aconteceu com cinco pessoas que registraram queixa no 4º Distrito Policial de Piracicaba, em um período de 15 dias, e que ficaram mais endividadas do que já estão.
Isso porque muitas delas pagaram para ter seus nomes limpos, perderam o dinheiro e continuam na lista dos devedores do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) ou na Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos). 
Segundo o investigador André Miyazaki, que trabalha no 4º DP, o golpe funciona da seguinte maneira: as vítimas, ao escolherem um dos sites, são orientadas a entrar em contato, via WhatsApp, pois o site disponibiliza o número.
“O cidadão faz esse contato sugerido pelo site, ocorre toda a negociação, e ainda acha vantajosa porque o golpista oferece um crédito alto para quem está com o nome negativado”, explicou Miyazaki. “O golpista diz para o cliente: “Eu preciso que você deposite tal quantia para eu limpar seu nome, primeiro, e depois liberar o dinheiro. Teve pessoa que registrou queixa e que depositou, inicialmente, R$ 800,00 para o estelionatário”, observou.
Feito o primeiro depósito, de acordo com o policial, ao dizer que vai efetivar a ação, o golpista vem com outra desculpa: que precisa de um fiador para garantir a liberação do empréstimo. “Aí, ele pede mais R$ 1 mil. Teve uma pessoa que depositou R$ 2,8 mil e não viu um centavo do que foi combinado”, destacou.
Só depois de depositar pela segunda, ou terceira vez, segundo Miyazaki, é que o cidadão ‘começa a se tocar’ que a tal empresa de créditos não existe e que tudo não passou de um golpe. “Quando chegam neste ponto é que vão procurar a Delegacia”, revelou.
Idades variadas
As vítimas que procuraram o DP, segundo ele, têm idades que variam entre 25 a 60 anos. “Essas vítimas apresentam comprovante de depósito, mas, geralmente, a conta na qual elas depositaram foi aberta com documento falso, por exemplo. Nossa orientação é que qualquer pessoa salde sua dívida para que possam ter seu nome limpo por meio de um órgão de proteção ao crédito devidamente credenciado para essa função”, completa.