INCLUSÃO SOLIDÁRIA
Centro de Reabilitação e 'Pipa' firmam parceria
Trabalharão praticamente o mesmo público e a mesma demanda

Por Adriana Ferezim

José Luiz Guidotti Júnior, presidente do CRP e Carlos Alberto Montanhini, presidente do Espaço Pipa

Crédito: Del Rodrigues

José Luiz Guidotti Júnior, presidente do CRP e Carlos Alberto Montanhini, presidente do Espaço Pipa

Terça-feira, 13 de março de 2018
Começou a viger o primeiro convênio entre entidades da cidade que trabalharão em conjunto, otimizando recursos e equipe multiprofissional para atender ao menos 320 crianças e adolescentes do Espaço Pipa, do Centro de Reabilitação de Piracicaba (CRP) e também crianças em situação de vulnerabilidade social. Três projetos serão realizados em forma de rede pelas instituições, que arrecadaram R$ 443,09 mil para a realização das ações ao longo do ano.
Os recursos foram obtidos por meio do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumdeca), que recebe doações de pessoas físicas e jurídicas do Imposto de Renda devido. Ao invés de pagarem para a Receita Federal, essas pessoas destinam uma pequena parte do imposto que têm de pagar aos projetos sociais da cidade.
"As entidades têm sinergia e se completam. Todos saem ganhando com a parceria", disse o presidente do CRP, José Luiz Guidotti Júnior. Para o presidente do Espaço Pipa, Carlos Alberto Montanhini, os projetos foram bem elaborados e a "realização em rede vai otimizar, principalmente, os recursos humanos que têm as entidades", afirmou. A possibilidade da parceria entre as instituições foi possível com o início do novo Marco Regulatório das instituições.
"Trabalhamos praticamente o mesmo público e temos a mesma demanda. O objetivo dessa parceria é unir e fortalecer as instituições em benefício do público que é atendido. Somos as primeiras a promover o atendimento em rede e queremos mostrar nossa experiência também para outras entidades, mostrar que é possível esse planejamento e execução das iniciativas", afirmou Euclídia Fioravante, coordenadora dos projetos.
"Estamos formando uma rede que tem os mesmos objetivos, que é ser uma rede inclusiva para pessoas com deficiência e para estimular políticas públicas para essas pessoas", disse Mariana Luciano, gerente do CRP.
Ações
Os três projetos têm em comum o atendimento às famílias, tanto das crianças com Síndrome de Down atendidas no Espaço Pipa, quanto nas com deficiência que participam do CRP. O Projeto 'Adoletá' foca a Primeira Infância e deve atender 80 crianças. A ideia é fortalecer o vínculo mãe e filho e promover estímulos das crianças de zero a até seis anos, com musicalização e artes.
"Sentimos no trabalho que sempre o foco era a criança e percebemos que as mães e os pais também tinham demandas que não eram atendidas. Nossa proposta é auxiliá-los a superar as dificuldades e a ser parte importante no processo do desenvolvimento das crianças, porque é nessa fase que eles mais se desenvolvem", afirmou Euclidia.
O outro Projeto é o 'Caleidoscópio' e visa atender 40 crianças, já em fase escolar, dos 10 anos de idade aos 17 anos de idade, para o enfrentamento de problemas de inclusão.
"Nessa fase a família precisa também de apoio e orientação. Nossa proposta nesse trabalho é ser a ponte entre a família e a escola e incentivar a participação em outros espaços para a inclusão. Uma das ideias desse programa é incentivar a aprendizagem, para que o jovem com deficiência possa ser inserido no mercado de trabalho", afirmou.
Juntos e misturados
O Projeto 'Juntos e Misturados', que já era realizado com as crianças com Síndrome de Down atendidas no Espaço Pipa e com crianças em situação de vulnerabilidade social, com o convênio passa a também a atender as crianças do Centro de Reabilitação de Piracicaba. As modalidades são oferecidas em diversos espaços da cidade, parceiros do programa, que também envolve a comunidade.
São oferecidas aulas de futsal, tênis de mesa, taekwondo, capoeira, karatê, ginástica rítmica, natação e atletismo.
"Nessa proposta vamos atender 200 crianças e adolescentes de oito a 17 anos de idade. As crianças com deficiência têm a parceria de crianças sem deficiência para a prática do Esporte. Isso proporciona os desenvolvimentos físico, emocional, e trabalha a inclusão. As crianças que participam como parceiras são irmãos, vizinhos das que têm deficiência, além de crianças das comunidades", disse.
Todos os projetos, também, terão a participação dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) para inclusão das crianças em vulnerabilidade social.