OPERAÇÃO RÊMORA
Operação prende policiais e empresários
Quase 130 homens da Rota cumpriram os mandados de prisão

Por Ana Cristina Andrade

Policiais da Rota, no momento da chegada à sede do Gaeco

Crédito: Del Rodrigues

Policiais da Rota, no momento da chegada à sede do Gaeco

Dez pessoas, entre elas um delegado e um investigador da Polícia Civil, um policial Militar, empresários e funcionários deles, todos de Piracicaba, foram presos nesta terça-feira (10), durante uma Operação desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Intitulada de “Rêmora”, a ação teve por objetivo desbaratar uma organização criminosa voltada à exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos. Rêmora é um pequeno peixe que sobrevive à custa dos tubarões e na operação policial é uma referência aos agentes públicos que recebem dinheiro dos grandes criminosos.
Os 12 mandados de prisão preventiva, mais 26 de busca e apreensão, foram cumpridos por quase 130 homens da Rota (Rota Ostensiva Tobias de Aguiar), lotados em 31 viaturas. Eles chegaram a Piracicaba às 4h30. Apenas o PM foi preso por militares da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo.
Para não haver risco de vazar alguma informação, segundo o capitão/PM, Rogério Nery Machado, os militares do grupo especializado só souberam da missão quando chegaram no Gaeco. Até o meio-dia, todos os mandados já haviam sido cumpridos. 
Durante as investigações, que tiveram início em dezembro do ano passado, foi apurado pelo Gaeco que a organização criminosa conta com uma vasta rede de empresas que são utilizadas para a lavagem de dinheiro. Também foi levantado que, em cinco anos, a quadrilha movimentou mais de de R$ 40 milhões. Duas pessoas continuam foragidas, entre elas a mulher de um dos empresários investigados.
Durantes as buscas, foram localizados diversos materiais relacionados a jogos de azar, lavagem de dinheiro e valores em dinheiro, inclusive com apreensão de dólares e euro em quantidade a ser apurada. Com um dos investigados foram localizados, ainda, anabolizantes e cigarros de origem clandestina e do Paraguai - essa ocorrência seria levada para a Polícia Federal.
Investigação
O Ministério Público realizou diligências de campo, de monitoramento, cruzamento de dados e interceptações telefônicas, o que permitiu se chegar ao conhecimento de toda a estrutura da organização criminosa e seu modus operandi (maneira de agir). Foi descoberto, inclusive, que essa organização se valia de corrupção de agentes públicos, policiais civis e o militar, para evitar apreensões de objetos e instrumentos de interesse da organização criminosa.
Governador
Durante cumprimento de sua agenda, na manhã desta terça-feira, em Piracicaba, quando participava de um evento na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) falou sobre as prisões.
“É um trabalho importante de investigação feito pelo Gaeco, com apoio da PM, da Rota, e as polícias de SP têm a melhor Corregedoria. Então, é apuração. Se tiver envolvimento de policial, vão responder por isso”, declarou o chefe do Executivo estadual.
O delegado e o investigador foram apenas afastados de suas funções. O demais foram recolhidos ao cárcere e permanecem à disposição da Justiça. Nenhum representante da PM ou Polícia Civil de Piracicaba quis comentar o caso.