FORTE ESTIAGEM
Vazão bem abaixo da média histórica
Liberação de mais água pelo Cantareira não deverá alterar a situação

Por Adriana Ferezim

A vazão do rio Piracicaba chegou a 23,95 metros cúbicos de água por segundo

Crédito: Antonio Trivelin

A vazão do rio Piracicaba chegou a 23,95 metros cúbicos de água por segundo

Quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Sem a ocorrência de chuva em setembro, a vazão do Piracicaba caiu para 23,95 metros cúbicos de água por segundo (m3/s), às 18h30, nesta terça-feira (12). O volume maior, liberado pelo Sistema Cantareira para as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), de 9,5 (m3/s) ainda não chegou ao trecho do rio no município e, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), o “impacto no manancial será pequeno”.
O órgão informou, em nota, que atendendo “a uma solicitação do Consórcio PCJ, a vazão do Sistema Cantareira para a Bacia PCJ foi aumentada em 1 m3/s na última quarta-feira (6), e mais 0,5 m3/s nesta quarta-feira (13), passando de 8 para 9,5 m3/s”.
De acordo com o estabelecido na outorga - licença que define as regras de operação do sistema -, o Daee explicou que o aumento na vazão do Cantareira nos períodos de estiagem é definido pela Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, levando em consideração os aspectos que julgar pertinentes, dentre eles, a garantir a captação e a vida aquática do manancial
A vazão de água liberada pelo Cantareira pode aumentar se persistir a estiagem. “De junho a novembro, que é considerado o período mais seco do ano, a bacia pode usar 158 milhões de metros cúbicos de água. Utilizamos até o momento 38 milhões de metros cúbicos, porque choveu em junho, julho e agosto e não utilizamos os 10 m3/s previstos na outorga para este período”, explicou José Cézar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ.
Ele calcula que, se a partir desta quarta-feira e até o final de novembro, ficar mantida a liberação de 10m3/s, as Bacias terão um volume economizado de 50 milhões de m3 de água. “Por isso, se houver necessidade de pedirmos o aumento da vazão liberada pelo Cantareira para 11 ou 12 m3/s, nesse momento mais severo da estiagem, temos água suficiente para isso”, disse.
Dados do Consórcio PCJ indicam que a vazão média utilizada em junho pela bacia foi 2,5 m3/s, em julho foi de 5 m3/s e em agosto, 7 m3/s. Nesta terça-feira, passou para 9,5 m3/s. Saad ressalta que o aumento da vazão foi definido já analisando a situação de queda dos mananciais da bacia, a ausência de previsão de chuvas e para evitar um volume crítico.
“Essa água liberada a mais ainda não chegou no rio Piracicaba. Normalmente o volume maior demora de sete a oito dias para chegar a Campinas e mais dois ou três dias para chegar no rio Piracicaba”, comentou.
Segundo boletim diário da Sala de Situação PCJ, do Daee, a vazão média histórica de setembro é de 60,79 m3/s. No dia 12 de setembro de 2016, a vazão do rio estava em 45,04 m3/s, com nível de 1,39 metro. Ao longo desta terça-feira, a vazão oscilou entre 23 e 24 m3/s, com nível de 1,09 a 1,11 metro. A média histórica da altura da água do Piracicaba é de 1,45 metro. Considerando esse nível, o desta terça-feira está 24,77% abaixo da média histórica.
Seca
A previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou, nesta terça-feira, que até o dia 16 não há previsão de chuvas no Estado de São Paulo. Continua a circulação na atmosfera anticiclônica, sistema que transporta o ar seco de altos níveis para a superfície.
“Essa subsidência inibirá o desenvolvimento de nuvens significativas e com valores de umidade relativa do ar próximo de 20%, em grande área do Estado. A frente fria que estava no Rio Grande do Sul, Paraguai e no Sudoeste do Mato Grosso do Sul, desloca-se para o Sudeste de São Paulo e passa rapidamente pelo Litoral afastando-se para o Oceano”.
Essa frente fria não consegue ingressar no Interior do Estado. Ela apenas poderá aumentar ligeiramente a umidade e a nebulosidade no Leste do Estado, especialmente no Litoral. “As temperaturas continuam elevadas na parte da tarde e declinam mais rapidamente à noite. Essa massa de ar seco continuará atuando até pelo menos o próximo final de semana em grande parte do Brasil, bloqueando a entrada dos sistemas frontais em sua área de atuação”, informou o Inmet.
A temperatura máxima deve chegar a 32°C, nesta quarta-feira. A mínima será de 18°C e a umidade do ar, entre 20% e 60%.