NA UNIMEP
Assembleia decide pelo fim da greve
Foram 15 dias de paralisação; decisão aconteceu no ginásio do campus

Por Marcelo Rocha

Professores, funcionários e estudantes da Unimep fizeram manifestações

Crédito: Del Rodrigues

Professores, funcionários e estudantes da Unimep fizeram manifestações

Quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Professores e funcionários da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) decidiram suspender a greve, após 15 dias de paralisação, na noite desta terça-feira (22). Eles promoveram assembleia no ginásio do campus Taquaral, com os Sindicatos das categorias e decidiram aceitar o acordo apresentado pela Rede Metodista de Educação e pelo Instituto Educacional Piracicabano (IEP) durante audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT), de Campinas (SP), realizada pela manhã.
Durante a assembleia, tanto docentes quanto funcionários estavam divididos sobre a decisão, o que prolongou a reunião até às 22h30. Estudantes também acompanharam as discussões. Antes da assembleia, eles promoveram ato de protesto.
A audiência no TRT de Campinas foi conduzida pelo desembargador Edmundo Fraga Lopes. Começou às 10h30 e se estendeu até o início da tarde desta terça-feira. Após a encontro, que segundo relatos “começou quente”, representantes dos professores e dos funcionários ouvidos pela Gazeta já consideravam ter havido “avanços” nas negociações.
Basicamente, os pontos principais acordados entre as partes e diante do desembargador foram três: a implantação do novo sistema operacional da Universidade, mediante a garantia de que a Rede vai acompanhar, treinar funcionários e oferecer assessoria técnica; o compromisso das partes negociarem um acordo coletivo; a garantia de que não haverá descontos dos 15 dias de greve, nem a necessidade de reposição de aulas e estabilidade de 60 dias.
“A suspensão da greve está bem encaminhada. Por hora, é uma suspensão da greve e não o fim da greve. Mas se eles (Rede/IEP) não cumprirem o que foi acordado na audiência, a greve volta”, declarou Deivid Wesley Marques, presidente da Associação dos Funcionários do Instituto Educacional Piracicabano (Afiep) no início da tarde desta terça-feira.
Segundo Milton Schubert Souto, presidente da Associação dos Docentes da Unimep (Adunimep), a audiência foi “boa e produtiva”. “Porque eles saíram da intransigência e agora vão se abrir para uma discussão. Mas a suspensão da greve só ocorrerá se assembleia aprovar a proposta. Ou seja, se a assembleia deliberar as aulas já recomeçam amanhã (nesta quarta-feira)”, disse.
Contatada, a assessoria de imprensa do Instituto Educacional Piracicabano (IEP) informou que a instituição só se pronunciaria após a assembleia de funcionários e professores, na noite desta terça-feira.
Audiência
Além do desembargador, participaram da audiência o diretor-geral do IEP, Robson Aguiar; diretores financeiro e de TI (tecnologia da informação) da Rede Metodista de Educação; Milton Schubert Souto, presidente Adunimep; Deivid Wesley Marques, presidente da Afiep; João Manoel dos Santos, presidente do Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar de Piracicaba (Saaep); Carlos Virgílio Borges, presidente do Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro); e advogados das partes envolvidas.
A greve
A greve de professores e funcionários daUuniversidade foi iniciada no dia 8 de agosto, após assembleia no Teatro Unimep. As categorias reivindicam uma educação de mais qualidade, mais autonomia da Universidade em relação à sua mantenedora (a Rede Metodista de Educação) e a manutenção do antigo sistema operacional (o Mainframe) responsável pela gestão de vários processos na universidade, desde a compra de materiais, até matrículas, emissão de boletos, controle de alunos em sala de aula, notas de provas e outros.
Desde julho, a implantação de uma nova tecnologia no campus causou transtornos à comunidade, principalmente para alunos que tiveram dificuldades de efetivar suas matrículas.
Com o caos, no dia 3 de agosto o reitor Márcio de Moraes publicou uma portaria interna determinando o restabelecimento do antigo sistema. A medida desagradou a Rede e, dias depois, o reitor foi demitido. E no dia 17, uma passeata nas ruas do centro culminou com uma reunião pública na Câmara de Vereadores, sobre a situação e os rumos da Unimep.