A HOMENAGEM
Chimarrão e manobras radicais com os pais
Em uma época de redes sociais, o contato pessoal domina

Por Marcelo Rocha

Alexandre Storel e a filha Alice de Campos Storel irão comemorar de uma forma radical

Crédito: Del Rodrigues

Alexandre Storel e a filha Alice de Campos Storel irão comemorar de uma forma radical

Como é possível pais e filhos cultivarem momentos íntimos hoje em dia, neste mundo tão digital e impessoal? Numa época na qual os vínculos afetivos parecem estar fora de moda? Pais e filhos piracicabanos, que também têm acesso a smartphones modernos, internet, redes sociais e outras tecnologias, provam que isto, sim, é totalmente viável. Mais do que isso, saudável.
Então, mais do que nunca é dia do "curtir" presencial, e não da versão digital expressa pelo polegarzinho pra cima do Facebook, que, em muitas vezes, não passa de um ato automático, hipócrita ou simplesmente conveniente.
Para prosear e trocar confidências, o comerciante piracicabano Fernando Totti, 48 anos de idade, e a filha Isabella Campos Totti, 11 anos de idade, cultivam dois hábitos típicos da região dos pampas. A dupla toma chimarrão e tererê enquanto atualiza o papo em família, especialmente na chácara onde moram, no bairro Pau D'Alhinho.
O aroma e o sabor da erva-mate são o pretexto para os gratificantes encontros familiares, garantem pai e filha. "Para mim, é uma oportunidade de conviver com uma filha maravilhosa, muito dedicada e aplicada nos estudos, que só enche a gente de orgulho", diz Totti, comerciante que possui um box no Mercado Municipal.
Segundo Isabella, os momentos de intimidade com o pai começam já no preparo das bebidas. "Depois, a gente conversa sobre a escola, minhas notas, a loja e ele também me conta histórias de sua infância. Gosto muito desses momentos, são especiais", conta a estudante piracicabana, que está no sexto ano.
O comerciante conta que começou a trabalhar aos 12 anos de idade e que tem lembranças da roça, ao lado do pai e do avô. "Estávamos sempre ali, trabalhando juntos, mas não havia a intimidade que hoje tenho com a minha filha. Ela é o meu 'grude'. Faço o máximo para ser um pai presente em tudo, tirando o inglês que é ela quem me ensina", declara Totti, que prefere que os celulares estejam desligados nos encontros em casa.
"Faço questão que durante o jantar, almoço e outros momentos de convívio em família, o celular esteja desligado. Então, na hora do chimarrão não tem celular ligado", diz. "Ah, mas de vez em quando a gente também mexe um pouquinho no celular, enquanto toma chimarrão e tererê", confidencia a filha.
Mais radical
Já o empresário Alexandre Storel, 43 anos de idade, e sua filha Alice de Campos Storel, 17 anos de idade, exercitam sua cumplicidade familiar arriscando manobras sobre o skate, por exemplo, na pista do bairro Cecap. A convivência radical entre pai e filha tem uma explicação simples.
"Quando eu era pequena, sempre acompanhava ele nos 'rolês' e, então, comecei a gostar bastante do esporte. Ter um pai skatista é uma sensação muito boa e de muita união", define a jovem piracicabana que trabalha como assistente-administrativa de Recursos Humanos.
O orgulhoso pai skatista diz que "sonhava ter um filho ou filha skatista". "Mas não imaginava que ela andaria, pois eu nunca a forcei a subir no skate. Ela anda de skate desde os sete anos de idade", comenta.
Alice salienta que é um privilégio ter um pai presente nas mais diversas ocasiões, não somente sobre as rodinhas. "Considero isso bastante importante, pois permite a troca de ideias sobre tudo", analisa. Para Storel, além da alegria do convívio com a filha a presença paterna ainda lhe permite a possibilidade de "dar orientações em relação às adversidades da vida".
Os dois são unânimes ao afirmar que o skate os aproxima. "Como todo esporte, os praticantes têm que trocar dicas e ideias sobre as manobras. E isso, claro, nos aproxima, é bem legal", relata Storel. "Mas o papel do skate em nossa relação não é só um lazer, mas sim uma coisa que gostamos muito e que, se pudéssemos, estaríamos praticando de domingo a domingo", acrescenta Alice.